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Acolhimento: UFMG retoma suas atividades na graduação de forma remota

Estudantes serão recebidos na segunda-feira em evento virtual, com transmissão pelo YouTube.


31 de julho de 2020 - , ,


Até a volta às aulas dos cursos de graduação, a partir desta segunda-feira, 3, foram meses de discussões com a comunidade acadêmica, de produção de conhecimento, de investimento em tecnologias de informação e comunicação e de formação de docentes e estudantes. A retomada se dará por meio do Ensino Remoto Emergencial (ERE), e esse formato ainda gera dúvidas em muitas pessoas, em razão do próprio ineditismo da proposta. Entretanto, a UFMG conseguiu avançar e propor condições seguras e equânimes para a volta. 

“Este é um momento muito difícil para toda a comunidade, de insegurança, de ansiedade e de expectativa. Como instituição pública, a UFMG tem que estar atenta à preservação da vida, nossa principal preocupação neste momento. Não é o momento de voltar para o presencial, mas de voltarmos a ter um contato mais próximo com a nossa comunidade”, afirma a reitora Sandra Regina Goulart Almeida, que recepcionará os estudantes em evento on-line, a partir das 9h, com transmissão pelo canal da Coordenadoria de Assuntos Comunitários (CAC) no YouTube.

Sandra Goulart reconhece que a excepcionalidade do momento traz muitas incertezas, mas confia que os desafios podem ser superados com diálogo, acolhimento, flexibilidade e responsabilidade. “As dúvidas acompanham a dinâmica social e os grandes processos de mudança cultural, como o que vivemos agora.”, afirma Sandra Goulart Almeida.

Para a dirigente, outro aspecto positivo é o esforço que a Instituição está fazendo para promover a equidade, por meio da inclusão digital. “Sabemos que parte do alunado tem dificuldade de acesso a computadores, redes de internet de qualidade e outras ferramentas. Por isso, lançamos uma consulta e, em seguida, várias chamadas para os estudantes de graduação, de pós-graduação, do Centro Pedagógico e do Coltec, para estudantes com deficiência, além de chamadas específicas para os estudantes indígenas e quilombolas e uma campanha de apadrinhamento organizada pela Fump”, afirma a reitora, referindo-se ao programa de inclusão digital lançado há um mês pela UFMG.

Ensino Remoto Emergencial
O programa de inclusão digital foi uma das formas encontradas pela UFMG para acolher sua comunidade estudantil em tempos de ensino remoto emergencial. Foto: Lucas Braga / UFMG

Escuta para os temas atuais

O evento que marca a volta às aulas foi batizado de Acolhimento e escuta para os tempos atuais e terá, além das boas-vindas da reitora e do vice-reitor Alessandro Fernandes Moreira, palestras que abordam o tema e suas implicações para a universidade brasileira. O psicanalista e professor do Instituto de Psicologia da USP, Crhistian Dunker, fará a palestra Da crise da escuta a escuta na crise: reflexões e desafios no campo da educação. Na sequência, a professora Teresa Kurimoto, da Escola de Enfermagem e da Comissão Permanente de Saúde Mental da UFMG abordará O novo sempre vem: reflexões para os tempos atuais.

 “O novo sempre vem. O novo já está aí, com grandes desafios, como o de construir novas formas de relacionamento e novos processos de ensino-aprendizagem. E com esse norte que a UFMG dá início a essa nova etapa”, resume Teresa Kurimoto.

Segundo ela, trata-se de um contexto com muitas novidades em que as relações serão mediadas pelo computador, com turmas se encontrando em uma janela aberta na tela e atividades assíncronas e síncronas. Nesse novo cenário, os professores também se colocarão na posição de aprendizes, e os servidores técnico-administrativos precisam reorganizar seus processos de trabalho remoto no ambiente domiciliar. “O novo não virá após a pandemia, ele já está aí. Como diz a canção do Belchior: ‘o novo sempre vem’. Certamente, as expectativas dos estudantes, professores e servidores técnicos não são as mesmas do início deste ano”, analisa Teresa Kurimoto.

Para a professora da Escola de Enfermagem, desde a suspensão das atividades presenciais na UFMG, no dia 18 de março, “a Universidade passou por um período de decantação”, com o objetivo de refletir, planejar e propor o que seria possível para o cumprimento de suas responsabilidades, nas dimensões do ensino, da pesquisa e da extensão. “Imaginamos que muitas pessoas seriam impactadas não somente pela mudança da rotina imposta pelo distanciamento social, mas pelas próprias condições da pandemia”, afirma a professora.

Teresa Kurimoto lembra que ainda antes da pandemia a UFMG já se organizava em torno do princípio do acolhimento. Após a consulta realizada no fim do ano passado a estudantes e servidores e professores de todas as unidades, a Comissão Permanente de Saúde Mental, com a participação de diversos servidores, estruturou uma rede acolhimento para sua comunidade acadêmica. “E é sob esse norte, do acolhimento, que acreditamos que a UFMG se consolidará ainda mais como uma universidade inclusiva, democrática e diversa”, conclui.

Investimento em formação

Várias pró-reitorias, diretorias e núcleos estão empenhados na produção de cursos, eventos e materiais diversos para orientar docentes, servidores técnico-administrativos e estudantes no processo de volta às aulas. Um desses eventos ocorre na próxima quarta-feira, 5, no âmbito da série de fóruns on-line promovidos pelo projeto Integração Docente. O debate Ensino remoto emergencial: quais dúvidas? reunirá representantes da Pró-reitoria de Graduação, da Diretoria de Tecnologia e Informação e do o Núcleo de Apoio à Inclusão para uma conversa sobre os últimos documentos e diretrizes aprovados nessas instâncias para permitir a volta às aulas com o menor número possível de dúvidas. O fórum deve se concentrar, sobretudo, na apresentação das cartilhas produzidas no âmbito do Programa Integração Docente.


(Centro de Comunicação da UFMG)