Afinal, o que é o bullying?

Psiquiatra explica como se caracteriza o tipo de violência, prevalente sobretudo entre pré-adolescentes.


17 de julho de 2026 - , , , ,


O bullying é um tipo específico de violência crônica caracterizado por três fatores: repetitividade, intencionalidade e assimetria de poder. É como define o pesquisador do Programa de Pós-graduação em Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da UFMG e convidado do Saúde com Ciência, Thales Pimenta.

“O primeiro domínio é a repetitividade. A agressão não pode ser única, não há de se falar, por exemplo, em um evento de bullying, uma agressão pontual”, explica. Ainda segundo ele, a assimetria de poder pode se apresentar de diferentes formas, como uma diferença etária entre agressor e vítima, diferença socioeconômica ou ocupação de posições de liderança, por exemplo.   

“O bullying pode ser feito de várias maneiras, existem várias formas de você agredir. Inclusive, existe até um recorte por sexo, em termos de agressão. Por exemplo: meninos ou homens, as pessoas do sexo masculino tendem a fazer uma agressão mais aberta, uma agressão mais direta, como bater, por exemplo, ou chamar de apelidos. Enquanto as pessoas do sexo feminino, as meninas, tendem a fazer uma agressão mais manipulativa, como, por exemplo, espalhar boatos ou excluir realmente a colega da convivência, mas de uma maneira mais sutil, mais indireta. Então, não existe só uma forma de fazer bullying”.

Thales Pimenta

De acordo com o pesquisador, o período em que o bullying alcança seu máximo é a pré-adolescência, entre os 10 e os 13 anos. “A partir dos 14 a gente começa uma redução da incidência do bullying entre pré-adolescentes”, reforça ele. Apesar disso, Thales relembra que, ainda que menos incidente, outras faixas etárias também praticam esse tipo de violência, incluindo adultos.

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar do IBGE, de 2024, afirma que quatro a cada dez estudantes brasileiros entre 13 e 17 anos já sofreram bullying nas escolas. Um a cada oito deles relatou também já ter sofrido cyberbullying nas redes sociais.

Quase 14% dos adolescentes declararam ter praticado bullying nos 30 dias anteriores à pesquisa. Com recorte de gênero, o percentual é de 16,5% dos meninos e 10,7% das meninas entrevistadas.

As características físicas são os principais alvos. 30,2% dos jovens relataram que o rosto ou o cabelo foi alvo dos ataques, enquanto 24,7% afirmaram ter sofrido bullying pela aparência do corpo.

Ouça o podcast na íntegra:

Saúde com Ciência

No programa de rádio Saúde com Ciência desta semana, conversamos sobre o bullying. Explicaremos qual é a sua definição, seus impactos nas vítimas e o conceito de cyberbullying. Além disso, também abordaremos o fenômeno do cancelamento online, os sinais de alerta de que alguém possa estar sendo alvo de agressões e a prevenção do bullying.

O Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a quinta-feira, às 7h15, no programa Bom Dia UFMG. Também é possível ouvir o programa pelas principais plataformas de podcasts.