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As interfaces do racismo e o impacto na saúde e formação de profissionais serão temas de debates em seminário

CPER promove dois eventos para debater a influência da discriminação racial em diferentes processos e como combatê-la, incluindo no ambiente universitário


15 de julho de 2021 - , , , , , , ,


Na próxima semana, a Comissão Permanente de Enfrentamento ao Racismo (CPER) da Faculdade de Medicina da UFMG promove um seminário, online e gratuito, para refletir sobre o racismo e suas diferentes formas de impacto. Isso inclui os processos de discriminação da população negra e indígena no Brasil tanto na sua saúde, adoecimento e morte quanto na formação e atuação do profissional de saúde. Por isso, ações e ferramentas de combate farão parte desse debate, incluindo o racismo institucional e o papel da Faculdade de Medicina no seu enfretamento.

O “Seminário interfaces do racismo: uma abordagem de saúde”, será no 22 de julho, às 17h30, com transmissão pelo canal da Faculdade de Medicina da UFMG no Youtube. É aberto a todos e sem necessidade de inscrição prévia. Durante sua transmissão, será divulgado um link de cadastro no chat para que os participantes preencham e sejam certificados.

Também promoverá uma discussão sobre experiências de quem sofreu racismo e de exemplos positivos de estratégia antirracistas que visam o cuidado integral e de equidade na saúde, a partir do que for apresentado na “Roda de conversas trajetórias negras e indígenas: relatos de vivências”, no dia 20 de julho. Este evento contará com relatos anônimos de racismo, tanto da comunidade acadêmica da Faculdade quanto de usuários dos serviços de saúde em Belo Horizonte, funcionando como um primeiro momento de reflexões antes do Seminário.

Para participar da Roda de conversas é necessário se inscrever até 19 de julho (clique aqui). O público-alvo são estudantes e trabalhadores da Faculdade de Medicina, mas não é exclusivo e outras pessoas também podem participar. Ela será realizada às 17h30, pelo Zoom. O link será enviado para o e-mail cadastrado na inscrição. 

“O racismo estrutura a sociedade brasileira e se institucionaliza no ensino superior. Isso se expressa por meio de uma composição, majoritariamente, branca da comunidade acadêmica, de preconceitos e violências discriminatórias sofridas pelos negros e indígenas que compõem a universidade”, pontua Elis Borde, professora do Departamento de Medicina Preventiva e Social (MPS) e coordenadora da Comissão. Ela ainda acrescenta a desqualificação e silenciamento da questão racial e do racismo nos currículos acadêmicos e nas pesquisas científicas, por exemplo, que tem importantes implicações para uma formação humanista, crítica, reflexiva e ética.

“A Faculdade de Medicina tem um papel fundamental de contribuir para o desmantelamento dos mecanismos que mantêm e reforçam o racismo tanto na formação acadêmica como no fornecimento de saúde”

“Nessa direção, em 2020, foi instituída a Comissão Permanente de Enfrentamento ao Racismo (CPER) no intuito de promover respostas institucionais diante da persistência e violência do racismo no país e suas diversas expressões na Faculdade de Medicina”, conta Borde.

Programação:

Roda de Conversas

“Esse espaço foi pensado para ser um lugar em que pudéssemos ouvir histórias de pessoas negras e indígenas que vivenciam ou vivenciaram na Faculdade de Medicina, e as suas perspectivas em relação ao racismo nesta instituição que é constituída majoritariamente por pessoas brancas”, comenta Julliane Correia, representante dos estudantes indígenas na Comissão.

Seminário

A programação conta com três especialistas reconhecidos, incluindo o diretor do Grupo de Trabalho Racismo e Saúde da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), a qual “tem assumido um papel muito importante na denúncia desses processos e na elaboração de propostas para enfrentar o racismo no campo da saúde”, de acordo com a professora Elis.

“Acredito que uma parte importante da discussão desse momento é verificar se a instituição tem contemplado a diversidade dos povos brasileiros na construção do conhecimento, bem como se tem incluído a discussão dessas temáticas em suas matrizes curriculares, tendo em vista a existência de políticas de saúde específicas para as populações negra e indígenas”, completa Julliane.

Próximas ações de enfretamento ao racismo

A coordenadora da CPER explica que a Comissão estabeleceu a estratégia de sensibilização da comunidade acadêmica sobre o racismo como um dos seus eixos de trabalho, buscando fomentar um posicionamento antirracista na formação e no exercício dos profissionais de saúde formados pela Faculdade de Medicina da UFMG.

Por isso, os dois eventos foram pensados com o objetivo de estimular o letramento racial, promover reflexões críticas sobre o papel dos profissionais de saúde e da Faculdade, assim como a sistematização e síntese de evidências científicas sobre as influências do racismo.

Além disso, a professora Elis cita o objetivo de identificar áreas específicas de atuação da CPER e de outros atores dentro da Faculdade e na Universidade como um todo, visando promover a articulação estratégica de diferentes grupos já existentes na instituição, como a Comissão Permanente de Ações Afirmativas e Inclusão (CPAAI-UFMG), o Grupo de Estudos de Negritude e Interseccionalidades (GENI), o Diretório Acadêmico Alfredo Balena (DAAB), o Diretório Acadêmico Marie Curie (DAMC) e o Centro Acadêmico de Fonoaudiologia.

“A partir do Seminário serão pensados outros momentos como oficinas para continuar discutindo o assunto e trabalhar em propostas que possam orientar a pesquisa e o ensino na Faculdade de Medicina. E, assim, fomentar um posicionamento antirracista na formação e no exercício do trabalho dos profissionais de saúde formados em nossa Instituição”

Professora Elis Borde

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