Aumenta o número de brasileiros com uso prolongado de telas no tempo de lazer, mostra estudo

Avaliação com mais de 265 mil pessoas de todas as capitais e do Distrito Federal observou a dinâmica do uso de telas no lazer – associado ao comportamento sedentário – entre 2016 e 2021.


24 de janeiro de 2023 - , , , , ,


Foto: Arquivo/Faculdade de Medicina da UFMG.

Os moradores das capitais brasileiras e do Distrito Federal aumentaram o tempo gasto no lazer em celular, computador ou tablet (grupo chamado CCT) de 1,7 para 2 horas por dia, entre 2016 e 2021. Já o tempo médio assistindo TV manteve-se estável no período (de 2,3 para 2,2 horas por dia). Os dados são de uma pesquisa do Programa de Pós-graduação em Saúde Pública da Faculdade de Medicina da UFMG, coordenada pelo professor Rafael Moreira Claro. O artigo foi publicado no American Journal of Health Promotion no último dia 17 de janeiro.

Outro dado que chamou a atenção dos pesquisadores é o aumento da frequência de adultos gastando 3 ou mais horas por dia em CCT, considerado tempo prolongado, que passou de 19,9% para 25,5%. Os pesquisadores destacam que o aumento do tempo dessas telas foi relevante em todos os grupos sociodemográficos. Sendo que o uso prolongado foi mais intenso no grupo dos mais jovens (18 a 34 anos), mulheres e pessoas com 9 a 11 anos de estudo.

Atualmente, o tempo de tela é a maior expressão do comportamento sedentário e, portanto, está associado a diversos desfechos adversos à saúde, especialmente relacionados às Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT). Evidências têm mostrado que o maior tempo em comportamento sedentário está associado ao aumento da mortalidade por todas as causas, da mortalidade e da incidência de doenças cardiovasculares, além da incidência de diabetes tipo 2. 

É o que explica a pesquisadora da Faculdade e doutoranda do Programa, Pollyanna Costa Cardoso. “Analisamos comportamento sedentário por ser tema central na agenda mundial de Saúde Pública, e pelo fato de tempo de tela discricionário, especialmente no lazer, ser uma possibilidade de escolha da pessoa. É muito importante monitorarmos o tempo de tela como uma ação de vigilância em saúde, de forma a apoiar a elaboração de diretrizes e desenvolvimento de políticas públicas para redução do comportamento sedentário”, analisa.

O número de horas considerado uso prolongado de telas no lazer ainda está em discussão na comunidade científica. A pesquisadora explica que o chamado ponto de corte (3 horas por dia) utilizado no estudo tem sido sugerido como mais apropriado devido sua associação com desfechos negativos de saúde, particularmente mortalidade por todas as causas entre adultos.

A coleta foi feita por telefone, por meio do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel). Foram mais de 265 mil entrevistas entre 2016 e 2021. Os entrevistados tinham 18 anos ou mais. A maioria dos estudos de tendências temporais disponíveis nessa temática são de países de alta renda, sendo este de grande relevância com uma amostra expressiva da população de um país de renda média.

Comportamento sedentário

O artigo faz parte de uma tese de doutorado que está em andamento e visa analisar o comportamento sedentário no país. O trabalho foi financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pelo Ministério da Saúde.

A sequência da pesquisa prevê a análise do impacto da pandemia de COVID-19 na mudança do tempo de telas no Brasil e previsões até 2025.

Por fim, a pesquisadora orienta limitar o comportamento sedentário, fazendo intervalos de cinco minutos para se movimentar a cada hora que a pessoa permanece sentada ou deitada assistindo à TV ou usando outras telas, conforme recomenda o Guia de Atividade Física para a População Brasileira. “As pessoas devem interromper longos períodos sedentários mesmo que seja com atividades leves e não ficar o tempo todo sentadas. Isso deve ser atrelado ainda com prática de atividade física moderada a intensa para melhores resultados de saúde e qualidade de vida”, conclui.


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