Cientistas alertam para distúrbios cerebrais em pessoas com covid-19


21 de julho de 2020 - ,


Hospital improvisado em Wuhan, na China, onde foram identificados os primeiros casos da covid-19
Hospital improvisado em Wuhan, na China, onde foram identificados os primeiros casos de covid-19Foto: Gov Cn / Fotos publicas / CC BY-NC 2.0

Oitenta mil pessoas já morreram no Brasil em decorrência da covid-19. O número de casos confirmados já ultrapassa a marca de dois milhões. Além desses dados alarmantes, uma pesquisa preliminar realizada por pesquisadores da University College London alerta também para a possibilidade de ocorrência de distúrbios cerebrais em pessoas que tenham tido covid-19. 

De acordo com o estudo, diversos pacientes com a doença, em Londres, sofreram com problemas variados, como distúrbios cerebrais, derrames, danos centrais ao nervo e outros efeitos graves.

O estudo revela também um aumento nos casos de uma condição conhecida como encefalomielite aguda disseminada, que coincide com a primeira onda de casos de covid-19 no Reino Unido, em março deste ano. 

Diante dessas evidências, neurologistas e médicos da linha de frente de combate ao coronavírus devem estar em alerta. É o que defendeu o médico neurologista do Hospital das Clínicas da UFMG Paulo Christo, também professor da Faculdade de Medicina, em entrevista ao programa Conexões, da Rádio UFMG Educativa, nesta segunda-feira, 20.

“Desde o início da pandemia na China, alguns casos de acometimento do sistema nervoso já haviam sido descritos. Dois estudos de Wuhan, cidade onde tudo começou, já indicavam a possibilidade desse tipo de ocorrência. Não são muitos os casos descritos, se levarmos em conta o gigantesco número de ocorrências de covid-19, mas é algo que se acabará vendo em alguns pacientes”, explicou.

Alguns cientistas suspeitam que o vírus cause insuficiência respiratória e morte não por danos nos pulmões, mas por danos no tronco cerebral, o centro de comando que garante que as pessoas continuem respirando, mesmo quando inconscientes. Outros pesquisadores temem que possíveis sequelas cerebrais se manifestem depois de alguns anos. 

“Há alguns protocolos que indicam o acompanhamento de alguns pacientes para algum tempo, para avaliar esse tipo de possibilidade”, afirmou Christo. 

Clique aqui e ouça a conversa com Luíza Glória


(Produção de Arthur Bugre/Rádio UFMG Educativa)