Como evitar a foliculite sem abrir mão da depilação
Dermatologista explica quais hábitos ajudam a evitar a inflamação dos folículos pilosos.
03 de agosto de 2026 - depilação, Dermatologia, foliculite, saúde com ciência

* Deise Amaral
A depilação está entre as principais causas da foliculite, mas alguns cuidados simples podem reduzir o risco da inflamação. A irritação afeta o folículo piloso, estrutura onde o pelo nasce, e costuma se manifestar por pequenas bolinhas avermelhadas que podem causar dor, coceira e desconforto. É o que explica o professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG e convidado do Saúde com Ciência, João Renato Gontijo.
Segundo o especialista, a foliculite costuma surgir principalmente após a depilação. A retirada dos pelos provoca pequenas lesões na superfície da pele, facilitando a entrada de bactérias e o desenvolvimento da inflamação. Pessoas com pelos mais grossos e encaracolados também têm maior predisposição ao problema, já que, muitas vezes, é necessário fazer mais atrito durante a depilação.
Além disso, a oleosidade da pele é um fator genético que favorece a proliferação de bactérias, especialmente em regiões de maior calor, atrito ou que são depiladas com frequência. No entanto, a depilação, por si só, não é a única responsável pelo surgimento da foliculite. Alguns hábitos aumentam significativamente o risco de inflamação.
“Raspar à seco, usar lâminas velhas, passar lâminas várias vezes no mesmo local, depilar contra o sentido do pelo, usar roupas apertadas de material sintético, e não higienizar bem a pele podem ser causa ou agravar quadros de foliculite recorrente”.
Professor João Renato Gontijo
Para reduzir esse risco, a recomendação é manter a pele limpa, utilizando sabonetes suaves e sem perfume. O professor também indica evitar roupas muito apertadas ou de tecido sintético, e tomar banho diretamente depois de episódios de suor intenso, como atividades físicas, por exemplo.
Quem utiliza lâmina para depilação com frequência também deve adotar alguns cuidados. O ideal é usar lâminas em bom estado, depilar sempre no sentido de crescimento dos pelos e observar sinais de desgaste.
Não é necessário descartar a lâmina após o primeiro uso, desde que ela permaneça em boas condições. “O mais importante é se a pessoa está sentindo que o pelo está sendo puxado ao invés de cortado, que a pele está ficando arranhada, ou notar ferrugem, aí ela deve ser descartada imediatamente”, orienta.
O dermatologista também destaca a importância de manter a pele hidratada, principalmente após a depilação ou quando houver ressecamento. A esfoliação suave pode ajudar a prevenir a foliculite, mas deve ser feita com cautela e, de preferência, antes da depilação. “O problema é que esfoliar com força, usando buchas, logo após depilar ou em lesões que já estão inflamadas, geralmente piora a irritação local”, explica.
Ouça o podcast na íntegra:
Saúde com Ciência

No programa de rádio Saúde com Ciência desta semana, conversamos sobre a foliculite. Abordaremos o que é, como surge, e hábitos que podem facilitar seu aparecimento. Além disso, também discutiremos como evitar a foliculite ao praticar a depilação, além de exemplificar casos mais severos da condição.
O Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a quinta-feira, às 7h15, no programa Bom Dia UFMG. Também é possível ouvir o programa pelas principais plataformas de podcasts.
* Deise Amaral – estagiária do Centro de Comunicação
Edição: Alexandre Bueno