Dermatologicamente testado quer dizer seguro?
Dermatologista afirma que, ainda que cosméticos sejam testados dermatologicamente, ainda podemos desenvolver alergias a componentes da fórmula.
15 de maio de 2026 - Dermatologia, pele, saúde com ciência, skincare
A grande maioria dos cosméticos usados hoje traz as palavras “dermatologicamente testado” no rótulo, sugerindo que são seguros para a pele. No entanto, isso não é uma garantia de que seu uso não trará efeitos negativos. É o que afirma a professora do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG e convidada do Saúde com Ciência, Luciana Baptista.
“Quase todo produto tem escrito na embalagem ‘testado dermatologicamente’, e a gente não consegue saber o que é isso, o que eles querem dizer com isso”, inicia a professora. Ela explica que as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para medicamentos tópicos (aqueles que entram em contato direto com a pele, como pomadas) e para produtos cosméticos é bastante diferente.
Ainda de acordo com a professora, a avaliação da Anvisa para os cosméticos é menos assertiva, pois a Agência age mais diretamente em medicamentos. Ela recomenda que não devemos ter uma confiança cega no termo “dermatologicamente testado”.
“Porque, geralmente, cosméticos vão ter fragrâncias e elas não são tão adequadas para uso na pele. Pode manchar a pele diante do sol, e também causar sensibilização, alergia. Vou dar um exemplo bem simples: a gente não tem alergia a níquel, o metal do brinco de bijuterias. A gente não nasce com alergia, a gente vai usando e, a partir de determinado momento, a gente se torna alérgico ao níquel. A partir do momento que você se tornou alérgico, você não pode usar mais, porque toda vez que você colocar, vai causar uma reação na pele”.
Professora Luciana Baptista
A professora explica que, embora a fragrância cause menos alergias do que o níquel, ela ainda pode provocar reações alérgicas. E, uma vez desenvolvida a alergia, a pessoa passa a ter opções mais limitadas de cosméticos.
“Você vai ter dificuldades de usar xampu, condicionador, desodorantes”, lista Luciana. De acordo com a professora, mesmo os desodorantes e outros produtos cosméticos e de higiene pessoal que são rotulados como sem perfume muitas vezes contém alguma leve fragrância usada para inibir o odor dos produtos químicos que compõe a fórmula.
Assim sendo, mesmo que o produto não exale um perfume intencional, que de fato chame a atenção, sua formulação ainda pode conter fragrâncias. A professora finaliza, afirmando que, sempre que possível, o indicado é usar produtos tópicos sem fragrâncias, para evitar a sensibilização da pele. “Por isso, os dermatologistas implicam com os cosméticos usados de forma inadvertida, sem uma orientação”, pontua.
Ouça o podcast na íntegra:
Saúde com Ciência

No programa de rádio Saúde com Ciência desta semana, conversamos sobre o cuidado com a pele. Abordaremos quais as práticas de skincare possuem embasamento científico e o que cosméticos dermatologicamente testados realmente significam. Além disso, alertaremos sobre receitas milagrosas das redes sociais e explicaremos as especificidades do cuidado com a pele negra.
O Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a quinta-feira, às 7h15, no programa Bom Dia UFMG. Também é possível ouvir o programa pelas principais plataformas de podcasts.