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Entenda como doenças são identificadas e o que isso muda

Série de programas aborda ciclo de descobertas de novas doenças, como coronavírus e vício em videogames.


    17 de fevereiro de 2020 - , , ,


    Zika, chikungunha, ebola, coronavírus e até vício em videogames. Todos os anos, a lista de doenças aumenta, desafiando a Ciência. Isso porque, a partir da identificação de uma enfermidade, é preciso elaborar respostas para a detecção, prevenção e tratamentos eficazes. Mas o que define uma nova doença? E o que muda depois que ela é descoberta?

    O professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG, Matheus Westin, explica que geralmente uma nova doença é identificada pela exclusão de outras já conhecidas. Foi assim que o novo tipo de coronavírus foi identificado. Essa enfermidade é transmitida por vias respiratórias e por contato com secreções provenientes de boca, olho e nariz.

    “As pessoas que, no contexto da China, estavam tendo quadros gripais ou semelhantes ao da gripe, com pneumonia e que evoluía mal, foram sendo pesquisadas para saber as causas mais comuns, as bactérias mais comuns que causam pneumonia, e o vírus mais comuns de se complicaram com pneumonia”, detalha do professor.

    Ele explica que, na medida em que nenhum desses agentes foram identificados, a possibilidade se ser um novo agente foi levantada. Com isso, pesquisas mais específicas foram feitas até se chegar a identificação de um novo vírus.

    O programa de rádio Saúde com Ciência desta semana traz mais informações sobre o novo coronavírus. Ouça aqui.

    Covid-19 e o isolamento

    O novo coronavírus, que recebeu o nome de Covid-19, tem mobilizado diferentes países para a contenção do vírus. Para isso, uma das medidas que está sendo adotada é o isolamento, em hospitais, de pessoas com a suspeita ou confirmação da doença.

    O professor Matheus Westin explica que, neste momento, em que é preciso entender melhor a doença, o isolamento é necessário. Mas, posteriormente, as recomendações devem mudar.

    “Será mais recomendado que as pessoas passem a usar máscara cirúrgica e fiquem em casa, a não ser que apresentem agravamentos”, frisa.

    Enquanto respostas mais concretas não chegam, pesquisadores tentam encontrar uma vacina e até tratamentos com antivirais, como os usados para combater o HIV.  Mas ainda não é possível prever quanto tempo levará até essa descoberta.

    Vício em videogames

    Outra doença que recentemente foi considerada e passará a integrar a Classificação internacional de Doenças (CID), com publicação prevista para 2022, é o vício em jogos virtuais. Antes, o uso excessivo em jogos era considerado um transtorno de controle de impulso.

    A psiquiatra Júlia Machado Khoury, que é pesquisadora do Centro Regional de Referência em Drogas da Faculdade de Medicina da UFMG, explica que a inclusão desse vício na CID aumenta o reconhecimento dessa doença por médicos, profissionais de saúde e até pelos próprios pacientes.

    “As pessoas ficam em alerta que aquilo não é um hábito, que pode ser uma doença, e deve buscar um tratamento. Assim, aumenta o índice de procura por ajuda e, consequentemente, aumento o índice de tratamentos”, analisa.   

    Para saber mais sobre vício em videogames, clique aqui.

    Contraponto

    Por outro lado, a nomeação de doenças, transtornos e comportamentos podem precipitar o uso de medicamento, levando à medicalização da vida.

    A professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, Cristiane de Freitas Cunha considera que comportamentos contemporâneos, como o da nossa convivência com as mídias, pode levar ao uso ainda maior de medicamentos.

    “Acho que a gente tem que ter muito cuidado. E lembrar que na clínica, cada caso é singular”, diz.

    Para ela, todo o arcabouço teórico pode ajudar, mas o exagero dessas nomeações pode borrar a subjetividade. “Pode conturbar a relação médico e paciente, e o estabelecimento de diagnósticos que podem efetivamente operar a favor dos pacientes.

    Programação da semana

    O Saúde com Ciência desta semana apresenta apresenta série sobre novas doenças e aquelas que podem ser intensificadas no futuro, como problemas no coração e enfermidades transmitidas por mosquitos.

    Confira a programação da semana:

    :: Que doença é essa?
    :: Novo coronavírus
    :: Aumento da temperatura e saúde do coração
    :: Vícios em jogos
    :: Arboviroses: presente e futuro

    Sobre o Programa de Rádio

    O   Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h. Também é possível ouvir o programa pelo serviço de streaming Spotify