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Distanciamento social pode causar prejuízos à qualidade de vida de idosos

Perdas cognitivas, aumento da sensação de solidão e até maior chance de fraturas podem ocorrer nesse período


10 de julho de 2020 - , , , , , ,


Desde que os primeiros casos de coronavírus foram confirmados no Brasil, o aposentado Luiz Moraes, de 78 anos, está cumprindo o isolamento social. As atividades fora de casa, como ir ao banco ou fazer compras, estão sendo feitas pelos filhos, enquanto ele fica em casa. Mas isso não significa que ele está parado. Ele relata como tem sido o cotidiano na pandemia:

Brincar com os netos, andar pelo quintal e ver filmes são atitudes que ajudam a amenizar os efeitos do distanciamento social. A professora convidada do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina e coordenadora do Ambulatório de Psicoterapia para idosos e suas famílias no Hospital Borges da Costa no Hospital das Clínicas da UFMG, Mariana de Souza Nicolau, explica que o isolamento social pode causas prejuízos de ordem social, física e cognitiva nos idosos. Um dos fatores observado é a sensação de solidão.

Já as perdas físicas estão relacionadas à falta de atividades físicas. Com o isolamento, os idosos podem ficar parados e a inatividade física pode levar a problemas de mobilidade, de equilíbrio e de força, causar ou aumentar dores no corpo, perda muscular e até o favorecimento de quedas e fraturas.

Dados apresentados pela pesquisa Convid, conduzida pela UFMG em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), apontam que menos de 15% dos entrevistados com mais de 60 anos têm realizado 150 minutos de atividade física semanal, tempo mínimo de atividade física recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Antes da pandemia, o índice era de 29,7%. Mesmo sem poder sair de casa, é preciso realizar atividades para impedir essas perdas:

Além de exercitar o corpo, é preciso exercitar a mente. A falta dessas atividades pode aumentar o declínio cognitivo, especialmente nos idosos. De acordo com a Convid, o tempo médio diário em frente à TV entre os idosos aumentou: durante a pandemia, quem tem mais de 60 anos assiste, em média, a 3 horas e 33 minutos por dia. Antes da pandemia, a média era de 2 horas e 32 minutos.

O tempo em frente a tablets e computadores também aumentou. Mas a professora Mariana chama atenção para essas atividades passivas e faz sugestões de atividades que evitam a perda cognitiva.

Grupo de risco

De acordo com boletim epidemiológico do Ministério da Saúde com data de 1º de julho, o número de óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) é maior entre as pessoas acima de 60 anos. Segundo a pasta, 36.247 mortes por covid-19 são de idosos, o que corresponde a 66,7% dos falecimentos contabilizados no documento. O sentimento por estar no chamado grupo de risco pode causar prejuízos na saúde mental dos idosos, como destaca a especialista.

A atenção com saúde mental dos idosos deve ser redobrada em tempos de isolamento social. Segundo levantamento do Ministério da Saúde de 2017, quando não havia a pandemia de coronavírus, a taxa de tentativa de suicídios entre idosos com mais de 70 anos é maior que a média nacional: foram registradas 8,9 mortes por 100 mil entre 2011 e 2017. A média foi de 5,5 por 100 mil. A depressão, uma das causas de tentativas de suicídio, tem características diferentes nos idosos, como descreve a docente.

Também os cuidadores de idosos merecem uma atenção especial. O estudo Convid aponta que 500 mil casas brasileiras têm idosos que precisam de ajuda para realizar atividades cotidianas. Em 28% desses domicílios, o responsável por essa ajuda é um cuidador profissional. Sendo um empregado ou um familiar, é preciso tratar o idoso com atenção e manter um diálogo.

Para melhorar a qualidade de vida dos idosos, o programa “Envelhecimento Saudável”, da UFMG, oferta, à distância, atividades diversas nas áreas de nutrição, psicologia, geriatria, terapia ocupacional e outras mais. Mais informações aqui.