Existem chances de uma pandemia global de ebola?

Alta letalidade e isolamento geográfico tornam improvável a transmissão intercontinental.


10 de agosto de 2026 - , , ,


O ebola foi identificado pela primeira vez em 1976, durante surtos simultâneos no Sudão do Sul e na República Democrática do Congo. Em cinquenta anos, o Brasil nunca registrou um caso confirmado da doença. Segundo a professora do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG e convidada do Saúde com Ciência, Carolina Lins, a própria alta letalidade do vírus é um dos motivos pelos quais ele fica contido no continente africano.

“O vírus não vive fora da célula. Então, isso é uma coisa importante. Ele é um parasita intracelular obrigatório, depende da célula para estar vivo. Se ele mata o seu hospedeiro, ele morre junto com o seu hospedeiro. Para que o vírus sobreviva no ambiente, ele precisa atingir uma simbiose. O que é isso? É um equilíbrio”.

Professora Carolina Lins

De acordo com Carolina, agentes muito letais possuem baixa capacidade de multiplicação. No caso do ebola, a depender da cepa da doença, a taxa de letalidade pode alcançar os 90%. Nesse caso, o ciclo da doença não dá ao doente a chance de espalhar a doença.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, até julho de 2026, o atual surto de ebola na República Democrática do Congo já havia registrado mais de 3360 casos confirmados da doença. Deles, mais 1480 haviam resultado em óbito, alcançando uma taxa de letalidade de 44%.

A professora também afirma que as regiões onde ocorrem os surtos de ebola também dificultam que o vírus se espalhe de maneira global. Ao comparar a referência histórica da pandemia de covid-19, ela lembra que o território chinês é extremamente populoso e visitado por um número muito grande de estrangeiros todos os dias. “Quando o pessoal se deu por conta daquele surto na Itália o negócio já estava espalhado. Ou seja, a epidemia já tinha ultrapassado o território chinês antes que a gente começasse a identificar os casos ali na Itália”, explica.

Já o ebola surgiu em comunidades rurais que vivem às margens do rio Ebola, que deu nome ao vírus. São regiões populosas, mas longe dos centros urbanos. Aldeias que convivem muito entre si e recebem poucas visitas estrangeiras. De acordo com Carolina, isso também contribui para que a disseminação seja menor.

Ela finaliza, afirmando que as características da doença, sua localização geográfica e o intenso trabalho de vigilância e combate epidemiológicos realizados pela Organização Mundial da Saúde fazem com que as chances de o ebola se tornar uma pandemia global sejam mínimas.

Ouça o podcast na íntegra:

Saúde com Ciência

No programa de rádio Saúde com Ciência desta semana, responderemos: por que não há ebola no Brasil? Conversaremos sobre o contágio da doença, as estratégias de contenção da doença no continente africano e as medidas tomadas pelo resto do mundo para impedir o avanço da doença.

O Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a quinta-feira, às 7h15, no programa Bom Dia UFMG. Também é possível ouvir o programa pelas principais plataformas de podcasts.