Acesso interno

internato rural

O Internato em Saúde Coletiva é mais do que um estágio acadêmico. É uma parceria estratégica entre a Universidade Federal de Minas Gerais e os municípios mineiros, especialmente aqueles que enfrentam desafios na oferta de profissionais de saúde.

O QUE É?

O Internato de Saúde Coletiva da UFMG, conhecido como Internato Rural, oferece há mais de quatro décadas uma imersão na saúde pública do interior de Minas Gerais para futuros médicos. Este estágio obrigatório, fruto de uma parceria entre a Faculdade de Medicina e prefeituras, permite aos estudantes atuar nos serviços públicos de saúde, aprendendo sobre as relações entre Medicina e Sociedade.

O objetivo do internato é proporcionar uma vivência prática que desenvolva competências técnicas e um senso de responsabilidade social, sempre alinhadas às necessidades da população local. O princípio pedagógico que fundamenta a disciplina vincula a docência aos Serviços Públicos de Atenção Médica.

A eficácia do programa depende do professor-supervisor, que orienta os alunos e mantém parcerias com os municípios. Considerado uma experiência transformadora, o Internato Rural visa formar médicos com uma compreensão profunda e consciente da relação entre Medicina e Sociedade.

AÇÕES DO INTERNATO

Toda essa atuação é supervisionada de perto pelos docentes da Faculdade de Medicina da UFMG, que visitam os municípios regularmente – a cada 15 dias, em média.

Ao longo de 32 horas semanais, os estudantes desenvolvem atividades que são planejadas em conjunto com a Secretaria Municipal de Saúde. A rotina pode incluir desde o atendimento à população até ações de vigilância em saúde, planejamento estratégico e projetos de educação em saúde.

Atenção primária

Na Atenção Primária à Saúde, os alunos podem atuar em diversas frentes:

  • Atendimento à população (demanda espontânea, consultas programadas e visitas domiciliares)
  • Diagnóstico situacional da realidade de saúde do município
  • Planejamento e execução de campanhas de prevenção e promoção da saúde
  • Organização e atualização de fluxos assistenciais e de protocolos clínicos

Contribuições dos alunos

Além disso, os alunos podem contribuir para o fortalecimento de áreas como:

  • Vigilância epidemiológica
  • Monitoramento e análise de indicadores de saúde
  • Apoio técnico na elaboração e atualização do Plano Municipal de Saúde
  • Desenvolvimento de projetos específicos, como o Programa Saúde na Escola (PSE), o PMAQ (Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade) e outras iniciativas locais

Para os municípios, a presença dos estudantes representa um ganho imediato: novas ideias, disposição para o trabalho, olhar crítico sobre os processos existentes e apoio nas ações que, muitas vezes, ficam represadas por falta de profissionais suficientes. 

Em diversas cidades, os alunos do Internato são vistos como aliados indispensáveis para o funcionamento adequado da rede de saúde, principalmente nas regiões onde há escassez de médicos. É importante destacar que, para que as atividades assistenciais aconteçam, é necessário haver um médico de referência disponível na unidade de saúde, garantindo a segurança e a qualidade da assistência prestada.

O Internato é, assim, uma via de mão dupla: enquanto os alunos aprendem na prática os desafios e as soluções da saúde pública, os municípios recebem um reforço qualificado, com ganhos concretos para a gestão e, sobretudo, para a população.

CONVÊNIOS

Para tornar essa parceria possível, a Faculdade de Medicina da UFMG firma convênios com as Prefeituras Municipais. A UFMG assume o compromisso de garantir a supervisão pedagógica e técnica através de seus docentes, assegurando a qualidade da formação e da assistência prestada.

Em contrapartida, as Prefeituras acolhem os alunos em sua rede de saúde, oferecendo alojamento, alimentação e transporte.

Ao longo das décadas, essa parceria tem sido um verdadeiro exemplo de integração ensino-serviço-comunidade, promovendo benefícios tangíveis para os estudantes, os gestores e, principalmente, para os moradores de cada município participante.

 

CIDADES DO INTERNATO

MAIS SOBRE O INTERNATO

Um convênio entre o Governo Brasileiro e a USAID possibilitou a expansão para Montes Claros, estabelecendo uma rede de centros de saúde que impacta a assistência no Norte de Minas.

A UFMG propôs uma formação médica mais humana, focada nas necessidades do povo brasileiro, visando formar médicos generalistas capazes de cuidar e intervir nas realidades locais.

Um grupo de estudantes se voluntariou para vivenciar a medicina no Vale do Jequitinhonha, consolidando o projeto nas Unidades de Saúde do Centro Regional de Diamantina, com um modelo de atendimento simples e conectado à população.

Com as Ações Integradas de Saúde (AIS) e a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), o internato passou a focar na transformação da realidade local. Em 1996, chegou à Bacia do Rio das Velhas, originando o Projeto Manuelzão, que integra saúde e meio ambiente.

Com mais de quatro décadas de história, o Internato em Saúde Coletiva continua a promover inovação, solidariedade e transformação social, funcionando como uma escola de cidadania onde os alunos aprendem que fazer medicina é cuidar de pessoas.

O Internato em Saúde Coletiva tem um propósito que vai muito além do cumprimento de uma carga horária. Ele oferece aos estudantes a oportunidade de mergulhar na complexa e desafiadora relação entre Medicina e Sociedade.

Durante a vivência nos municípios do interior de Minas Gerais, os alunos são convidados a refletir sobre desigualdades sociais, dificuldades de acesso à saúde e as múltiplas faces do sofrimento humano. Tudo isso atuando diretamente nos serviços públicos de saúde.

O princípio pedagógico do Internato é o mesmo que norteia a formação médica da UFMG: integrar o ensino com os serviços de saúde. Essa experiência prática permite que o futuro médico desenvolva não apenas conhecimentos técnicos, mas também um olhar sensível, ético e comprometido com o bem-estar coletivo.

Ao final do Internato, cada aluno volta transformado – com histórias, aprendizados e um senso ainda mais profundo de responsabilidade social. Porque a Medicina que se aprende no Internato Rural não cabe apenas nos livros: ela pulsa nas ruas, nas casas, nas vidas de quem mais precisa.

PROGRAMAÇÃO DO INTERNATO

Tudo começa com a introdução dos estudantes ao estágio: nesta etapa, são apresentados os objetivos da disciplina, sua estrutura e como ela se integra à sua formação médica. É o momento de entender o papel do internato no seu desenvolvimento profissional e pessoal.

Depois, os estudantes se agrupam em duplas e escolhem a cidade de atuação desejada. Na ocorrência de múltiplos interessados por uma mesma vaga de estágio, a definição será feita por meio de sorteio.

Ao final do estágio, há uma reunião geral de alunos e professores para uma avaliação da experiência do internato e para a entrega do relatório final do estágio a ser apresentado pelos alunos em formato de pôster.

EQUIPE TÉCNICA

Coordenação Geral:
Profª. Veneza Berenice de Oliveira

Docentes responsáveis:
Antônio Thomaz Gonzaga da Matta Machado
Geraldo Cunha Cury
Fernando Machado Dias Vilhena
Francisco Panadés Rubió
Helian Nunes de Oliveira
Jandira Maciel da Silva
Jansen Chefarni Tanure
Marcelo Pellizzaro Dias Afonso
Marcus Vinícius Polignano
Tarcísio Márcio Magalhães Pinheiro
Raphael Augusto Teixeira de Aguiar
Veneza Berenice de Oliveira

Com apoio de:
Lorenza Nogueira Campos Dezanet
Nádia Machado de Vasconcelos

Funcionários Técnico-Administrativos:
Maria Helena Pena Dutra
Maurílio da Silva Elias

Motoristas:
Cássio Murilo Ferreira de Andrade
Gilson Alves de Souza
José Rezende dos Santos
Ricardo Augusto de Assis
Roberto Coelho Rocha

Homenagens Póstumas:
Prof. Antônio Alves Leite Radicchi
Prof. Ernandes de Barros Moreira
Prof. José Eustáquio Mateus
Prof. José Teubner Ferreira
Hélio Candioto
José Emídio Avelino
José de Paula Martins
Maria Lourdes Chaves
Raimundo Soares dos Santos