[Opinião] Sim! Podemos acabar com a tuberculose!
23 de março de 2026 - Dia Mundial da Tuberculose, Opinião, Tuberculose
Silvana Spíndola de Miranda*
Tema do dia Mundial da TB 2026- 24 de março é um chamado ousado à ação e uma mensagem de esperança, afirmando que é possível voltar aos trilhos e virar a maré da epidemia de TB, mesmo em um ambiente global desafiador. Com liderança de país decisiva, aumento do investimento doméstico e internacional, rápida aceitação de novas recomendações e inovações da OMS, ação acelerada e forte colaboração multissetorial, acabar com a tuberculose não é apenas aspiracional – é alcançável (OMS, 2026).
No Brasil, observou-se um aumento de casos de tuberculose no período pós-pandemia da COVID-19. Em 2024, foram notificados 84.308 casos novos, correspondendo a um coeficiente de incidência de 39,8 casos por 100 mil habitantes. O país apresentou ainda elevação de 3% no número de óbitos em relação aos anos anteriores, com coeficiente de mortalidade de 2,8 óbitos por 100 mil habitantes. O Brasil permanece classificado pela OMS entre os países com alta carga de TB e de coinfecção TB-HIV, sendo esta última responsável por 11,4% dos casos notificados, com apenas 57,3% das pessoas em tratamento antirretroviral (TARV).
No estado de Minas Gerais, em 2024, foram notificados 4.349 casos de tuberculose, com coeficiente de incidência de 19,9 casos por 100 mil habitantes. No mesmo período, registraram-se 237 óbitos relacionados à doença, correspondendo a um coeficiente de mortalidade de 1,6 óbito por 100 mil habitantes. O óbito por TB constitui importante indicador de falhas evitáveis nos processos de diagnóstico, acompanhamento e cuidado em saúde. (BRASIL, 2025).
A TB permanece fortemente condicionada pelos determinantes sociais de saúde, refletindo desigualdades estruturais que afetam especialmente populações em contextos de maior vulnerabilidade. (SANTOS et al., 2024) A OMS descreveu em 2023 que o maior número de casos de TB estava atribuído a estes cinco fatores: desnutrição, problema com álcool, tabagismo, infecção pelo HIV e diabetes. (Global Tuberculosis Report 2024, 2024) . Além desses, em uma revisão integrativa do cenário brasileiro foram descritos que essas populações dispõem de menor suporte social, enfrenta maior exposição a condições ambientais adversas e apresenta elevada prevalência de uso de drogas e transtornos mentais — elementos intimamente associados à interrupção terapêutica. (SANTOS et al., 2024).
Os medicamentos para o tratamento da TB como da prevenção para pessoas com maior risco de adoecer é fornecido pelo SUS. A pessoa com tosse com duas semanas ou mais (SES-MG), deve procurar a Unidade Básica de Saúde para realizar o exame de escarro (Teste Rápido Molecular) e RX de tórax. Se identificar que está doente deve tomar os medicamentos por pelo menos 6 meses sem interromper, para garantir a cura.
(Professora Silvana Spíndola de Miranda/Departamento de Clínica – Médica/Pneumologista/Tisiologista – Coordenadora do Ambulatório de Referência Secundária /FM/HC/UFMG – Coordenadora do Laboratório de Pesquisa em Micobactérias da FM/HC/UFMG)
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