Pesquisa reforça a importância da vacinação contra covid-19 em idosos institucionalizados
Esquema vacinal completo contra a covid-19, com doses de reforço, induz resposta imunológica em 99,8% dos idosos institucionalizados de Belo Horizonte
03 de agosto de 2026 - Covid -19, Idosos, Saúde dos idosos, vacina, vacina contra a covid
*Felipe Veras

Completar o esquema vacinal, e receber as doses de reforço são estratégias essenciais para garantir a segurança e o controle de infecções virais. É o que mostra o estudo realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Aplicadas à Saúde do Adulto da Faculdade de Medicina da UFMG. A pesquisa, feita pela médica geriatra e pesquisadora Flávia Lanna, apontou que o ciclo vacinal completo contra a covid-19 junto a doses de reforço são essenciais para a resposta imunológica, mesmo em idosos vulneráveis e institucionalizados.
A pesquisadora chegou ao tema como participante de um projeto assistencial em Instituições de Longa Permanência para idosos (ILPIs) realizado em parceria com o Hospital das Clínicas (HC), que foi convidado pela Secretaria de Saúde para auxiliar no controle da disseminação da COVID-19 nas ILPIs durante a pandemia.
A avaliação dos participantes foi realizada em três fases a partir de coleta biológica dos participantes. A primeira coleta foi realizada 45 dias após a conclusão do esquema vacinal primário (duas doses), a segunda, aproximadamente cinco meses e meio após a segunda dose; e a terceira, após as doses de reforço.
No início da pesquisa, esperava-se que idosos mais frágeis tivessem menor resposta imunológica, que foi verdade após a avaliação dos níveis de anticorpos da primeira fase. Também era esperado um declínio natural de anticorpos durante a segunda coleta, que ocorreu em todos os grupos, idosos, idosos frágeis, e trabalhadores das ILPIs. No entanto, após a terceira fase, mesmo os mais vulneráveis desenvolveram resposta de anticorpos, comprovando a importância de receber todas as doses.
“Os reforços se provaram extremamente importantes para melhorar a resposta imunológica das populações. 100% dos funcionários desenvolveram níveis relevantes e apenas 0,19% dos idosos não tiveram resposta satisfatória”, afirmou Flávia.
Para esta pesquisa, considerou-se idoso frágil aquele que apresenta declínio da capacidade funcional, com perda de autonomia e independência para gerenciar a própria rotina e realizar o autocuidado. A fragilidade foi avaliada por meio do Índice de Vulnerabilidade Clínico-Funcional (IVCF-20), instrumento desenvolvido e validado pelo Núcleo de Geriatria e Gerontologia da UFMG
O Projeto Assistencial ILPI-BH acompanhou 99 Instituições de Longa Permanência para Idosos de Belo Horizonte durante a pandemia. Para sua pesquisa, Flávia recortou as instituições filantrópicas, por permitir maior controle da equipe médica. O estudo incluiu 815 participantes acompanhados em 28 ILPIs filantrópicas de Belo Horizonte, sendo 654 idosos residentes, e 161 trabalhadores destas instituições.
Vulnerabilidade em ILPIs
A pesquisadora explicou que no mundo todo já era percebida uma maior mortalidade por covid-19 em idosos institucionalizados, por representarem um dos grupos mais vulneráveis, devido à alta taxa de transmissão em ambientes de convivência coletiva, e maior vulnerabilidade clínica, decorrente do envelhecimento, da elevada frequência de comorbidades e da fragilidade
Foram contabilizados no estudo 108 óbitos ao longo do seguimento, sendo eles apenas 12 associados a covid-19, porém sem identificação estatística de associações com idade, sexo ou comorbidades prévias. Os demais óbitos ocorreram por variadas causas, mas associados majoritariamente a idosos frágeis, idade avançada, e comorbidades.
Flávia destaca que o conjunto de estratégias de monitoramento, vigilância e assistência implementadas pelo projeto em instituições filantrópicas foi fundamental para o baixo número de mortes, em contraste com o observado em muitas ILPIs de outros países durante a pandemia.
O Centro de Telessaúde do Hospital das Clínicas da UFMG desenvolveu uma ferramenta de apoio, um chatbot, para monitoramento diário de sinais e sintomas. Quando surgia algum sinal sugestivo de infecção, a equipe do projeto era imediatamente avisada para avaliar o caso e definir a conduta mais adequada, incluindo, quando necessário, o encaminhamento para uma unidade de isolamento, reduzindo o risco de transmissão dentro da instituição
A pesquisadora também destacou o caráter multidisciplinar e interinstitucional do projeto. Além da ferramenta de monitoramento desenvolvida pelo Centro de Telessaúde, pesquisadores do Instituto de Ciências Biológicas (ICB/UFMG) desenvolveram e validaram ensaios ELISA para avaliação de anticorpos contra o SARS-CoV-2, fundamentais para a análise da resposta imunológica dos participantes ao longo do estudo.
O Projeto Assistencial ILPI-BH foi fundamental durante a pandemia. Agora, o estudo de Flávia fornece evidências que reforçam a importância da vacinação e das medidas de vigilância e cuidado adotadas para essa população. Hoje é recomendado o reforço anual da vacina contra a covid-19 para idosos institucionalizados.
Em conjunto, os resultados indicam que, mesmo em uma população caracterizada por elevada vulnerabilidade clínica e funcional, a vacinação contra a covid-19 foi capaz de induzir e sustentar resposta imunológica suficiente para a proteção, com amplificação consistente após a administração de doses de reforço. Tais achados apresentam estratégias de vacinação em ILPIs e sustentam a efetividade imunológica da vacinação mesmo em contextos de fragilidade avançada.
Pesquisa: Avaliação da resposta imunológica à vacinação anti-covid em idosos institucionalizados
Autor: Flávia Lanna de Moraes
Orientador: Profa Eliane Viana Mancuzo
Programa: Pós – Graduação em Ciências Aplicadas à Saúde do Adulto
Defesa: 27 de fevereiro de 2026
*Felipe Veras – Estagiário de Jornalismo
Edição: Débora Nascimento e Geisa Aguiar
