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Por que a ingestão de água é essencial no tratamento de doenças?

A recomendação dos especialistas é não descuidar da hidratação mesmo no frio e principalmente em casos de sintomas de gripe ou dengue, comuns no Brasil neste período do ano


16 de abril de 2020 - , , , , ,


*Giovana Maldini

A ingestão da quantidade adequada de água é essencial no funcionamento do corpo. Por isso, os especialistas chamam a atenção para esse cuidado, principalmente em casos de quadros gripais ou dengue, por exemplo, doenças comuns nesta época do ano.

Entre suas ações, o líquido é fundamental no tratamento das doenças infectocontagiosas, porque ajuda a eliminar substâncias tóxicas do organismo. Com isso, alivia-se os sintomas e diminui o risco de agravar o quadro. É o que explica a professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, Ana Cristina Simões:

“No caso de doenças que comprometem as vias respiratórias, a água ajuda a fluidificar as secreções e possibilita que elas sejam expelidas com mais facilidade, aliviando os sintomas. Já no caso da dengue, se a pessoa estiver bem hidratada, o sistema circulatório funcionará adequadamente. Isso é muito importante, pois evita as complicações da doença, como a dengue hemorrágica. Portanto, com a hidratação o impacto causado pelo vírus é menor”. 

Além da importância no tratamento de doenças infectocontagiosas, o consumo de água é essencial para todo o funcionamento do corpo. Como explica Ana Cristina Simões, esse líquido é necessário para que ocorram todas as reações biológicas e químicas do organismo. O que faz sentido, já que do total de composição do corpo humano, 70% ou mais é de água.

A professora chama a atenção para o fato de que, além de ser essencial para fortalecer a resposta imune contra gripes e resfriados que são mais comuns no inverno, a água também previne doenças renais, hidrata a pele e elimina toxinas ingeridas ou produzidas no metabolismo diariamente.

“Se a pessoa toma algum medicamento, essa substância será eliminada do corpo. E a água é essencial para que esse processo ocorra. Em uma pessoa desidratada, por exemplo, um remédio pode ter mais efeitos tóxicos, porque a urina não vai eliminar a substância”, observa Ana Cristina. 

Mas em períodos com temperaturas mais baixas, é normal sentir menos sede do que no calor, já que não há perda excessiva de líquido, como no suor. Isso faz com que muitos descuidem da hidratação e comprometam o funcionamento adequado do corpo. 

“Esperar ter sede para tomar água faz com que o indivíduo beba menos líquido do que precisa. Então, principalmente no frio, devemos criar formas para contabilizar e nos lembrar da hidratação com frequência, como deixar sempre uma garrafinha de água por perto”

orienta o médico de Família e Comunidade Mateus Oliveira, professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG

Atenção: A quantidade de água necessária é uma orientação individual, já que depende de fatores como idade, peso e o tipo de atividade física realizada. Pessoas com algum comprometimento renal, por exemplo, devem ficar ainda mais atentas. Consulte o profissional de saúde para se adequar melhor às suas necessidades.

Diariamente, eliminamos água nas atividades corporais, como suor e urina. No entanto, vômitos e diarreias podem contribuir para essa perda e, se não respondida adequadamente, pode levar à desidratação. Apesar de parecer algo simples, a falta de água e sais no organismo causa queda de pressão arterial, perda de consciência, convulsões, coma, falência de órgãos e até a morte, dependendo da gravidade. 

Para repor essa perda, além da água, outros líquidos também podem auxiliar. Soro de reidratação oral, água de coco, sucos naturais e, até mesmo frutas, podem ajudar nesse processo. 

“As frutas são uma forma indireta de hidratação, principalmente se o indivíduo está com dificuldade de ingerir água. É uma alternativa interessante, já que têm vitaminas e outros componentes auxiliares que repõem a perda de líquido”, explica Mateus Oliveira. 

Essas são opções importantes de intervenção individual, principalmente durante a pandemia do novo coronavírus que mudou os protocolos de atendimento das unidades de saúde, priorizando sintomas respiratórios graves. Mas, se os sinais de desidratação persistirem ou permanecer a dificuldade em se hidratar, é necessário consultar um médico.

Atenção maior aos sinais de desidratação em crianças, que apresentam frequentemente a ausência de lágrimas, e idoso, que tem a prostração como um sinal comum de pouca água no corpo. Esses grupos costumam se esquecer de beber água e podem ter complicações maiores com a desidratação.

Às crianças que têm vômito ou diarreia e não conseguem ingerir líquidos via oral, a professora Ana Cristina orienta procurar um serviço de saúde para que a perda de água seja reposta. “É importante que ela receba a hidratação via venosa, por meio do soro, que tem um teor água e sais minerais necessários para aquele momento. Com isso, é possível evitar que ela fique desidratada”, acrescenta. 

“É necessário ficar atento a ingestão de água diária e não aguardar a sede para se hidratar. Conhecer a importância da hidratação para a manutenção do bem-estar e da saúde no geral é fundamental”

Mateus Oliveira

*Giovana Maldini – estagiária de jornalismo
Edição: Deborah Castro