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Saiba o que fazer em caso de sintomas gripais em crianças


10 de janeiro de 2022 - , , , , ,


Além da pandemia de covid-19, o Brasil tem enfrentado uma epidemia de Influenza A /H3N2, com disparada de casos nas últimas semanas. Esse vírus respiratório pede atenção dos cuidadores de crianças pequenas, especialmente as menores de cinco anos, já que elas têm mais risco de desenvolverem casos graves da gripe.

Em entrevista ao programa de rádio “Saúde com Ciência”, a professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, Cristina Alvim, explica que o aumento de casos de Influenza geralmente é observado no período de inverno. Mas com as medidas de proteção contra a covid, como o uso de máscaras e restrição de pessoas nos ambientes, a disparada de infecções foi “adiada” para o fim de ano, momento de maior abertura das cidades.  Além disso, tivemos uma cobertura vacinal da gripe de 60%, muito menor que a desejada, que é de 90%.

As crianças menores podem ser mais suscetíveis aos diversos vírus respiratórios, uma vez que estão em processo de formação do sistema imunológico. Por isso, é importante reforçar a proteção, especialmente neste momento de maior pressão no sistema de saúde, que também lida com aumento de casos de covid no país.

“É um momento de sermos super cuidadosos. Gripou, então não levar paras escolas, casa dos avós, para creche… Além disso, lavar as mãos, usar máscaras – crianças acima de dois anos, algumas já conseguem usar máscaras – evitar aglomerações, ambientes fechados e estar com cartão vacinal em dia”, orienta Cristina Alvim.

Como diferenciar H3N2 da covid?

Tanto a Influenza H3N2 e a covid-19 quanto outros vírus respiratórios podem apresentar sintomas semelhantes, que constituem a chamada síndrome gripal. Febre acima de 37,8 ºC, tosse, coriza, nariz entupido, dor de cabeça, falta de apetite e dor no corpo são alguns desses sintomas inespecíficos que caracterizam grande parte das infecções respiratórias. Então, como diferenciar?

De acordo com a professora Cristina Alvim, são necessários exames laboratoriais para determinar se a crianças está com Influenza ou com covid. Ela alerta para a importância do acampamento de um profissional da saúde na realização desses exames. “Especialmente os testes rápidos para a covid podem gerar resultados falso negativos. Por isso, a importância desse acompanhamento para saber a hora certa de fazer o exame, interpretar os resultados e receber orientação”, explica.

Quais os principais cuidados?

Seja covid ou gripe, os cuidados em crianças geralmente são os mesmos. “É importante hidratar bem, limpar o nariz com soro para desobstruir, usar remédio para febre e evitar sair para não passar para outras pessoas e para descansar e recuperar o mais rápido possível”, recomenda a especialista.

Mas o tempo de permanência em casa varia conforme o diagnóstico.  No caso de covid, a média é de 10 dias, sengundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), para não transmitir para outras pessoas. Já a síndrome gripal dura de 3 a 5 dias e costuma melhorar naturalmente, embora a tosse e o mal estar possam persistir por até duas semanas.

Em geral, não é necessário uso de antibióticos, já que eles não agem contra o vírus e são receitados para tratar infecções bacterianas. Além disso, remédios para tosse, descongestionantes e anti-gripais não são recomendados em crianças, pode podem trazer efeitos indesejados.

Quando levar ao médico?

Apesar de os quadros mais leves poderem ser tratados em casa, é preciso ficar atento aos sinais de maior gravidade da gripe, já que necessitam de avaliação médica. Por exemplo, a gripe pode vir acompanhada de complicação bacteriana como otite, amigdalite, sinusite e pneumonia.

“A gente vai suspeitar disso quando os sintomas estão durando mais tempo ou se estão piorando ao invés de melhorarem. Por exemplo, a tosse passa a ficar com catarro, a criança não está conseguindo engolir ou mesmo quando a febre passa e, mesmo assim, ela fica mais sonolenta e irritada”, pontua a especialista.  

Outros sinais como vômitos frequentes e febre persistente por mais de três dias também são indicativos de maior gravidade e devem ser avaliados por um médico. Da mesma forma, quando a família está em dúvida e deseja orientações também buscar por um especialista.

Qual médico levar?

É importante se perguntar se o caso realmente precisa ser levado ao serviço de urgência. Se for para avaliar ou tirar dúvidas, é preferível ser atendido no centro de saúde ou consultório. “No centro de saúde tem uma vantagem que funciona todo o dia e se o médico tiver alguma dúvida, pode agendar um retorno. O cuidado de acompanhamento é muito importante para a saúde infantil”, salienta Cristina Alvim.

A professora explica que quando o quadro gripal é mais leve, geralmente não é preciso levar ao serviço de urgência, que já se encontra mais sobrecarregado devido aos surtos de Influenza e aumento de casos de covid. “É bom deixar para quem está com maior gravidade, para ser atendido rápido e com mais qualidade, porque se leva todos os casos, a equipe que está lá vai ficar exausta e não vai conseguir atender a todos”, reforça Cristina.

Em todos os casos, o médico avalia se há infecções bacterianas e de outras doenças como asma. Avalia ainda se há necessidade de indicação de outros exames, medicamentos ou internações. “Mas, na maioria das vezes, não é nada disso e o médico vai acalmar a família”, tranquiliza a professora.

Saiba mais

Saiba mais sobre os cuidados com as crianças no programa de rádio “Saúde com Ciência”, que detalha as semelhanças e diferenças entre o vírus H3N2 e a covid, cuidados para prevenção de ambas as doenças e qual a situação atual do país. O programa também conta com a participação do professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG, Ênio Pietra Pedroso.

“Saúde com Ciência”  é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a quinta-feira, às 5h, 8h e 18h. Também é possível ouvir o programa pelo serviço de streaming Spotify.