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Profissionais de saúde podem receber atendimento gratuito em saúde mental

Iniciativa da Faculdade de Medicina da UFMG, proposta pela Associação Brasileira de Neuropsiquiatria e parceiros, já tem 700 voluntários para atender remotamente os profissionais


03 de abril de 2020 - , ,


“Existe um constante medo entre os profissionais de contrair o novo conornavírus, como ocorre com 20% dos italianos com casos graves, que são profissionais de saúde”, depõe o médico Alexandre Andrade, clínico geral e na linha de frente do cuidado de pacientes com coronavírus.

O profissional relata estar se sentindo mais ansioso, com distúrbio do sono e preocupação sobre como será o futuro. “Mandei os parentes para a casa de outras pessoas, estou vivendo sozinho. Há uma semana, um motorista de aplicativo me colocou para fora do carro quando ficou sabendo que eu era médico”, conta.

Para reforçar a saúde mental de trabalhadores da área da saúde, para que continuem a salvar vidas mesmo sabendo dos riscos e de toda a carga emocional da pandemia, a rede de cuidados “TelePAN Saúde Medicina/UFMG” já está no ar para atendimento online e gratuito em saúde mental.

Apoio

O projeto da Faculdade de Medicina da UFMG, proposto pela Associação Brasileira de Neuropsiquiatria (ABNP) e parceiros, conta com mais de 700 voluntários para serviços como consultas médicas; psicoterapia individual breve de apoio; terapia de grupos; atendimentos individuais e educação em saúde; orientação em assistência social e em enfermagem, dentre outros.

Assim, médicos, enfermeiros e outros profissionais de todo o país que estão na linha de frente podem solicitar o suporte pelo site www.medicina.ufmg.br/telepansaude.

Também é possível fazer a solicitação por email (telepan.ufmg@gmail.com), indicando nome completo, profissão, qual seria a melhor forma de comunicação – Skype, telefone, Zoom ou Whatsapp, por exemplo – e horário ou data para a marcação do atendimento.

Rede

A rede de atendimento voluntário é constituída por profissionais da saúde com qualificação na atenção em saúde mental. Eles receberão um email com a solicitação de atendimento e terão até 72 horas para responder e iniciar o serviço de apoio. 

De acordo com o coordenador do projeto e professor do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Medicina da UFMG, Helian Nunes, a iniciativa surge para que os profissionais possam continuar realizando os procedimentos em saúde de uma forma eficaz e atenta.

O professor também é vice-presidente da ABNP e ressalta a importância da parceria com a associação e outras instituições.

“A comunidade dos trabalhadores da saúde já tem manifestado o agradecimento por este movimento solidário, constituído de parcerias plurais e atentas ao bem estar de uma nação que vive um momento de tantos medos e incertezas”, enfatiza.

Helian também considera os gestores das equipes de profissionais importantes parceiros desse time ao divulgarem a plataforma de atendimento para suas equipes.  

O projeto estará ativo até o final da pandemia, mas poderá continuar depois para atenção de algum grupo específico mais vulnerável.

Voluntariado

O psiquiatra Hélio Lauar é colaborador e voluntário do “TelePAN Saúde Medicina/UFMG”. Segundo Lauar, a rede incentiva o protagonismo social para a promoção da saúde.

“Além de estarem no principal grupo de risco para o novo coronavírus, os trabalhadores de saúde também se mostram vulneráveis pelo contato ansioso com o processo de trabalho. Isso porque lidam com a alta carga horária, medo de se contaminar e de contaminar terceiros, especialmente a própria família, entre outras questões”, reforça.

As inscrições para voluntários também ficarão abertas neste link durante todo o período da pandemia. Os voluntários que não tiverem experiência em saúde mental poderão atuar em atividades de menor complexidade na rede de atendimento, até que recebam treinamento e supervisão para atendimentos especializados.

Para o enfermeiro Nilmar Niz, que atua na central psíquica em Belo Horizonte e atualmente coordena o núcleo de controle de infecção e segurança do paciente do Hospital Espírita André Luiz, manter o equilíbrio e a esperança nesse momento é essencial.

“O desafio aqui é em dose dupla, pois atuamos no controle efetivo das doenças infectocontagiosas e temos um dificultador que são as condições clínicas dos nossos pacientes: nós trabalhamos com pacientes psíquicos, onde, muitas vezes, o grau de entendimento sobre cuidado é deficitário”, explica.

“Embora seja um cenário difícil, tento me manter otimista e realista sobre o que de fato devemos fazer para passarmos por essa pandemia com o menor dano possível”, conclui.

Parceiros

São colaboradores e parceiros dessa iniciativa o Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Medicina da UFMG; Centro de Tecnologia em Saúde da Faculdade de Medicina da UFMG (CETES); Associação Brasileira de Neuropsiquiatria (ABNP); Ambulatório de Saúde Mental do Trabalhador (SEST/HC); Residência de Psiquiatria Forense do Instituto Raul Soares (Fhemig); Equipe interprofissional do Curso de Fisioterapia da UFMG; Núcleo de Apoio Psicopedagógico aos Estudantes da Faculdade de Medicina da UFMG (Napem); Grupo de Pesquisa em Saúde do Trabalhador do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Medicina da UFMG; Internato em Saúde Coletiva da UFMG; entre outros.