Radiação e segurança: mitos e verdades

Programa Saúde com Ciência desta semana tira dúvidas populares sobre radioterapia, exames de raio-x e até mesmo aparelhos domésticos.


12 de abril de 2024 - , , ,


Você já ouviu alguém dizer que os aparelhos de micro-ondas podem deixar os alimentos radioativos? Ou que ligações prolongadas em aparelhos de celular elevam os riscos de desenvolvimento de câncer?

De acordo com o professor do Departamento de Anatomia e Imagem da Faculdade de Medicina da UFMG e convidado do Saúde com Ciência, Lucas Paixão Reis, essas afirmações não condizem com a realidade. No caso dos aparelhos de micro-ondas, ele explica que as ondas eletromagnéticas utilizadas na comunicação sem fio são do tipo não-ionizante, ou seja, elas não possuem a capacidade de arrancar elétrons dos átomos.

“Essas radiações possuem um efeito biológico, no corpo, que é chamado de efeito térmico. O uso prolongado do aparelho de celular pode provocar um aquecimento da cabeça, da pele, da orelha”, prossegue o professor. Ele nos conta que os efeitos desse aquecimento momentâneo a longo prazo ainda estão sendo estudados, mas, até o momento, não existe nenhuma evidência de que o aparelho celular contribua para o aparecimento de câncer em seus usuários.

Da mesma forma que os celulares, os aparelhos de micro-ondas também emitem ondas de radiação não-ionizante, que produzem um efeito térmico nos alimentos, aquecendo-os. Assim, o professor afirma que os aparelhos também não possuem risco de radioatividade para os usuários.

“O aparelho não traz nenhum risco, porque se você calcular o comprimento de onda das micro-ondas, ele está na faixa de alguns centímetros. E, quando a gente olha para a porta do aparelho de micro-ondas, vemos aquela tela, cujos orifícios são muito menores que um centímetro. Então, a onda não sai do equipamento, não existe risco para as pessoas. E, a princípio, a única modificação que as micro-ondas causam no alimento é a sua mudança de temperatura. Então, não existe nenhum risco de ele ficar radioativo nem nada parecido”.

Professor Lucas Paixão Reis

Radioterapia

Outro assunto abordado pelo professor Lucas Paixão foi a radioterapia. De acordo com ele, uma das dúvidas mais frequentes dos pacientes da terapia é se ela pode ou não fazer com que o paciente se torne radioativo.

Mas, segundo o professor, isso não é possível. “Na radioterapia, a fonte de radiação, na grande maioria dos casos, ela é externa ao paciente, ela irradia o paciente pelo lado de fora do corpo”, ele detalha. Assim, não existe nenhuma possibilidade de que um paciente de radioterapia fique radioativo ou tenha algum tipo de desenvolvimento negativo em função de radiação.

Saúde com Ciência

No programa de rádio Saúde com Ciência desta semana, vamos conversar sobre radiação. Desmistificaremos dúvidas comuns a respeito de eletrodomésticos como aparelhos de TV e micro-ondas e alimentos radioativos. Também iremos conversar sobre exames de imagem que fazem uso da radiação, como o raio-x; e sobre a radioterapia.

O Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h. Também é possível ouvir o programa pelas principais plataformas de podcasts.