Temporada de chuva: entenda os principais cuidados com a saúde

Uma das principais formas de prevenção nessa época é evitar o contato com as águas de enxurradas da rua, que podem estar contaminadas.


17 de janeiro de 2022 - , , ,


*Maria Beatriz Aquino

O ano de 2022 mal começou e já trouxe muita chuva. Em pleno verão, algumas regiões do país vivem dias de muita umidade e, principalmente, problemas com inundações e enchentes. E neste período de tempestade, é preciso tomar cuidados com doenças que podem aparecer com maior frequência. O professor do Departamento de Medicina Preventiva de Faculdade de Medicina da UFMG, Marcus Vinícius Polignano, explica que uma das principais formas de prevenção nessa época é evitar o contato com as águas de enxurradas da rua, já que podem estar contaminadas.

“Na água podem vir vários vírus, como o da hepatite, e outros que podem causar diarreia. Isso se a pessoa consumir uma água potencialmente poluída”, afirma o coordenador do projeto Manuelzão da UFMG.

O professor acrescenta ainda que a leptospirose é uma das doenças mais comuns da época por ser facilmente transmitida pelo grande volume d’água. Nesse caso, a bactéria faz uma penetração ativa na pele, sem precisar do consumo direto da água. Por isso, o professor aconselha a não andar com os pés descalços e usar sempre com botas.

Mas se esse contato for inevitável, é preciso ficar atento aos sintomas de febre ou diarreia, que podem indicar exposição a algum agente infeccioso. Caso apareçam, e preciso buscar, imediatamente, serviços de pronto atendimento.

Animais peçonhentos e cuidados dentro de casa

Os dias mais úmidos também favorecem a presença de animais em casa ou no quintal. Polignano atenta principalmente para escorpião e cobras. Os escorpiões podem ser encontrados com frequência dentro de sapatos e, por isso, o cuidado deve ser redobrado ao utilizá-los. Quanto às cobras, são mais frequentes em áreas rurais, mas também é preciso ficar de olho nos quintais, mantendo-os sempre limpos.

Já dentro de casa, o professor aconselha que se mantenha as janelas e portas abertas nos períodos em que não houver chuva, para maior circulação do ar e da luz solar. Isso pode evitar o surgimento de mofos e, com isso, prevenir doenças como rinite e sinusite, também típicas dessa época.

“É bom evitar o acúmulo de regiões onde tenha umidade, então passar sempre um pano no chão e nas paredes onde você perceba que esteja começando a acumular mais umidade. E também atentar às paredes que estejam começando a ficar verde com proliferação de plantas”, ressalta.

Relação entre chuvas e viroses

A água de inundações por si só não transmite vírus como a Influenza H3N2 e a covid-19. O problema, de fato, é o confinamento causado pelas chuvas e a falta de distanciamento das pessoas, especialmente daquelas que perderam suas casas com os alagamentos e inundações. Isso porque muitas delas precisam se mudar e conviver com outras pessoas em um ambiente diferente.

“Evidentemente, como as pessoas nessas situações ficam desalojadas, elas são levadas para abrigos e são obrigadas e conviverem confinadas. Então a transmissão se dá pela proximidade dessas pessoas”, explica o professor.

Políticas públicas e o meio ambiente

A frequência e intensidade das chuvas que dominaram grande parte do país deixaram ainda mais evidente os problemas e impactos sofridos pelo meio ambiente. Polignano chama atenção para os resultados que se tem com as interferências do ser humano, principalmente através do desmatamento. “Essas mudanças climáticas repercutem em situações como essas, em que vamos ter que conviver com extremos de chuvas e secas intensas. Esses fenômenos estão cada vez mais frequentes”, analisa.

Por isso, Marcus Vinicius acredita que as próximas gerações têm como desafio descobrir uma forma mais coerente de se adequar às cidades aos rios já existentes e, assim, mudar a relação homem-ambiente. Isso será possível, somente a partir de políticas públicas pensadas para respeitar esse ciclo natural das águas.

“Eu acho que temos que entender que esse ciclo de chuva e calor é vital para manter nosso planeta vivo, inclusive toda nossa produção alimentar, nossa geração de energia, água, abastecimento e peixes. É um desafio de reconstrução”, conclui Polignano.

Saiba mais

No programa “Saúde com Ciência” desta semana, confira ainda como as chuvas contribuem para fertilização do solo e outras dicas de cuidados com a saúde.

“Saúde com Ciência”  é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a quinta-feira, às 5h, 8h e 18h. Também é possível ouvir o programa pelo serviço de streaming Spotify.

*Maria Beatriz Aquino – estagiária de Jornalismo
edição – Karla Scarmigliat