O Projeto

O Vida Após a Vida é um programa pioneiro e referência nacional no estudo da anatomia; tem o intuito de promover o cadastro de pessoas para a doação post mortem de seus corpos e suprir a necessidade de cadáveres para o ensino da anatomia aos alunos da instituição.


Histórico e Fundação

  • Ano de Início: O programa foi fundado em 1999, completando 27 anos de existência em 2026. O primeiro coordenador e idealizador do programa Vida Após a Vida foi o Professor Humberto José Alves. Sua atuação foi fundamental para a transição ética e legal da forma como a Faculdade de Medicina da UFMG recebia corpos para estudo.

O professor Humberto estava à frente do projeto quando o programa nasceu, motivado pelo desejo de uma senhora em fase terminal que queria doar seu corpo para a ciência. Ele foi o responsável por estruturar os trâmites legais junto à universidade para que isso fosse possível de forma voluntária e oficial. Além de sua dedicação à Anatomia Humana, o Professor Humberto teve uma carreira administrativa de destaque na instituição, chegando a ocupar o cargo de Diretor da Faculdade de Medicina da UFMG (gestão 2018-2022). Ele é frequentemente lembrado por humanizar o processo de doação, reforçando que o corpo doado não é apenas um “objeto de estudo”, mas sim um “mestre” que ensina os futuros profissionais da saúde. Ele sempre enfatizou a importância do respeito e da gratidão aos doadores e suas famílias. Sob sua liderança inicial, o programa ajudou a acabar com a dependência de corpos não reclamados, garantindo que o ensino da anatomia fosse feito dentro de um rigor ético exemplar, o que tornou o modelo da UFMG uma referência para outras universidades do país.

  • Pioneirismo: Foi o primeiro programa estruturado de doação voluntária de corpos do Brasil. Antes de sua criação, as faculdades de medicina dependiam majoritariamente de corpos não reclamados (conhecidos como “indigentes”).
  • Motivação: O projeto nasceu de um pedido individual e evoluiu para uma campanha institucional com o aval do Conselho Universitário e da Procuradoria da UFMG, visando garantir ética e legalidade ao processo.

Coordenação e Equipe

A continuidade e o sucesso do programa Vida Após a Vida são viabilizados pela dedicação de uma equipe multiprofissional do Departamento de Anatomia e Imagem (IMA) da Faculdade de Medicina da UFMG. Atualmente, o programa é coordenado pela Profª. Pollyana Helena Vieira Costa Policarpo, contando com a colaboração fundamental dos professores e técnicos:

  • Aldeir José da Silva
  • Arthur Adolfo Nicolato
  • Cleverson de Oliveira Pena
  • José Eustáquio Pereira Barboza
  • José Henrique Moreira
  • Kennedy Martinez de Oliveira
  • Maurílio Elias
  • Rafael Leite Alves
  • Sérgio Eduardo Rocha Correa
  • Yves Moreira Ribeiro

Além do corpo docente e técnico, o programa conta com a participação ativa de alunos de graduação, que auxiliam nas atividades acadêmicas e de conscientização, reafirmando o caráter educativo e integrador da iniciativa.


Propósito e Impacto

O programa sustenta o lema em latim: “Hic Mors Gaudet Succurrere Vitae” (Aqui a morte se alegra em socorrer a vida).

  • Formação Acadêmica: Permite que estudantes de Medicina e outras áreas da saúde aprendam em estruturas reais, respeitando variações anatômicas que modelos artificiais não replicam.
  • Educação Continuada: Profissionais já formados utilizam as doações para treinar cirurgias complexas (como transplantes de pulmão) e testar novos equipamentos.
  • Recordes Recentes: Em 2025, o programa atingiu um recorde histórico com 27 doações efetivadas e 203 novos cadastros no ano, refletindo uma maior conscientização social.

Como Funciona a Doação

Para quem deseja se tornar doador:

  1. Requisito: Ser maior de 18 anos (menores precisam de autorização dos responsáveis).
  2. Entrevista: É obrigatório agendar uma entrevista para esclarecer dúvidas e assinar o Termo de Doação (que exige a assinatura de duas testemunhas).
  3. Desistência: O doador pode desistir da decisão a qualquer momento, conforme o Código Civil.
  4. Velório: A doação não impede a realização de um velório pela família, desde que a cerimônia seja breve para não comprometer a preservação do corpo.

O sucesso do programa “Vida Após a Vida”, assim como qualquer outro programa de doação, é totalmente dependente da generosidade e do altruísmo das pessoas que doam seus corpos para a ciência. Com essa ação elas passam a ajudar muitas pessoas, já que os vários profissionais que ajudaram a formar beneficiarão muitas outras pessoas. A doação é um ato nobre, solidário e essencial para a formação de novos profissionais da saúde.