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Campus Saúde capacita estudantes moçambicanos e profissionais do Vale do Jequitinhonha

Capacitação com publicações científicas, videoaulas e atividades prepara para divulgação de informações sobre pandemia diretamente com a população.


29 de abril de 2020 - , , ,


Primeira parceria internacional é com a maior e mais antiga universidade de Moçambique. Foto: Universidade Eduardo Mondlane (UEM).

O Campus Saúde da UFMG está capacitando alunos moçambicanos para atuar na prevenção e informação da população sobre a covid-19. Assim como em Belo Horizonte, os estudantes de Medicina irão atuar em linha direta com as pessoas para sanar dúvidas em relação à pandemia. No mesmo projeto, que faz parte do programa “Campus Saúde enfrentando o coronavírus”, profissionais de saúde do Vale do Jequitinhonha e estudantes da UFSJ e UFJF também foram beneficiados.

O conteúdo das capacitações é o mesmo usado para alunos da UFMG, com a única ressalva para o fluxograma de atendimento e funcionamento da rede de saúde de Moçambique, que foi atualizado com o auxílio do Ministério da Saúde de Moçambique. “A UFMG desenvolve um papel de ponta quando o assunto é colaboração nacional e internacional em pesquisa, ensino e extensão”, afirma a professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina, Maria Cândida Bouzada, que participa da parceria com as instituições. Ela destaca o desempenho expressivo da UFMG junto às comunidades de Minas Gerais em relação à extensão.

A capacitação envolve revisão de publicações científicas, videoaulas e atividades. Já foram capacitados 600 alunos da UFMG – dos cursos de Medicina e Enfermagem -, 93 da UFSJ e 1 da UFJF, em três turmas. A quarta turma conta com 250 alunos da UFMG, médicos e enfermeiros de municípios do Vale do Jequitinhonha e 50 alunos de diversas universidades. Também está previsto curso voltado para educadores e auxiliares em saúde, como forma de apoio aos municípios.

Cooperação internacional em saúde

A primeira turma, com 25 alunos da Faculdade de Medicina da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) – sediada em Maputo -, finalizou o curso no último domingo (26 de abril). Mais 60 vagas foram ofertadas e serão distribuídas entre a UEM e outras duas instituições: o Isctem (Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique), também baseada em Maputo e de caráter privado; e a Universidade de Lúrio, pública e presente no norte do país.

Sacarlal dirige a Faculdade de Medicina da UEM, pioneira no ensino médico do país. Foto: UEM.

O país ainda não registrou óbitos, mas já conta com dezenas de casos confirmados. “A oferta veio no momento exato. Ainda não temos muitos casos, mas já há a necessidade de explicar para a comunidade sobre a doença”, aponta o professor e diretor da UEM, Jahit Sacarlal. O Ministério da Saúde de Moçambique solicitou o apoio dos estudantes – que estão fazendo aulas à distância – para atuar no call center “Alô Vida”, que informa a população sobre questões de saúde.

Segundo o professor Sacarlal, além da capacitação, o aproveitamento foi positivo também como intercâmbio de experiências em saúde pública. “Foi bom para os alunos, que aprenderam bastante. No treino também puderam ver como é o manuseio de pacientes com a covid-19 no Brasil. Para o atendimento, eles estão informados sobre o fluxo de atendimento aqui de Moçambique”, comenta.

Uma das etapas da capacitação é a webaula realizada pelo professor do Departamento de Clínica Médica, Unaí Tupinambás, que coordena a capacitação. A aula foi transmitida ao vivo em 19 de março e foi assistida por mais de 1.200 pessoas. Ela está disponível online.

Em novembro de 2019, a Faculdade de Medicina da UFMG aderiu à Rede de Cooperação das Escolas Médicas de Língua Portuguesa, que estabelece esforços de compartilhamento de experiências entre Universidades. A UEM também faz parte da rede. O protocolo foi assinado em Lisboa.

“A experiência além mar e este compartilhamento de saberes com um país de língua portuguesa e com costumes muito parecidos, como são Moçambique e Brasil, torna esta atividade ainda mais rica”, celebra a professora Cândida Bouzada.

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