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Confira os cuidados individuais para prevenir infecções


28 de fevereiro de 2020


Imagem de jacqueline macou/Pixabay.

Com a comunicação do primeiro caso confirmado de infecção pelo novo coronavírus (Covid-19) no Brasil – feita pelo Ministério da Saúde em 26 de fevereiro –, as estratégias de prevenção tornam-se mais importantes que nunca para reduzir as chances de uma epidemia. Pensando nisso, convidamos o infectologista e professor da Faculdade de Medicina da UFMG, Unaí Tupinambás, para responder algumas perguntas sobre a higiene respiratória e a prevenção da doença.

Confira:

Quais cuidados básicos devemos ter para uma boa higiene respiratória?

A higiene respiratória começa bem antes de uma perspectiva epidêmica como essa. Ela tem início em uma alimentação com dieta balanceada, em manter-se sempre hidratado, praticar atividades físicas ao ar livre e, para os fumantes, controlar ou até mesmo cessar o tabagismo. Tudo isso contribui para a higiene respiratória.

E quando enfrentamos uma possível epidemia?

Em se tratando das infecções respiratórias, o mais importante é sempre lavar as mãos. Isso porque as mãos, sendo mecanismos de leva-e-traz, são sempre nosso modo mais fácil de contato com superfícies e corpos infectados.

Outras recomendações incluem evitar as aglomerações, mantendo uma distância mínima de um metro das pessoas, de modo geral. Àqueles que apresentem algum tipo de quadro respiratório, procurar usar sempre lenços de papel ao espirrar ou tossir, jogando-os no lixo.

O uso de máscaras pode ajudar na prevenção?

Para a população em geral, o uso é não apenas desnecessário, como pode até mesmo ser contraproducente, pois pode gerar uma falsa sensação de segurança. Além disso, ao usar a máscara, acabamos por levar as mãos ao rosto com mais frequência para ajustá-la. A recomendação é que apenas aqueles que apresentem sintomas respiratórios façam uso.

Professor Unaí faz parte do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG. Foto: Carol Morena.

Ao higienizar as mãos, o que é recomendado: álcool em gel ou sabonete?

Tanto o álcool 70% quanto água e sabão são igualmente eficientes na desinfecção. A única situação na qual recomenda-se a preferência por água e sabão é quando as mãos apresentarem sujidade visível, como terra ou lama.

No caso de profissionais da saúde, que tipo de precaução devem tomar no trato com seus pacientes?

Cada nível de cuidado tem recomendações diferentes. Aqueles que vão atuar apenas em momentos de triagem, por exemplo, que não irão exercer contato direto com os pacientes, devem observar apenas os cuidados básicos, como qualquer pessoa. Já profissionais que realizarão exames, tendo contato próximo ou físico com pacientes, devem utilizar luvas, gorros, óculos e máscara, a fim de evitar infecções.

Para os grupos considerados vulneráveis, como os idosos e pacientes com condições crônicas, podemos dar recomendações adicionais?

Aqueles indivíduos que se enquadrem nos grupos de risco devem, mais do que nunca, trabalhar no controle de sua saúde respiratória e observar os níveis de glicose. Além disso, devem participar das campanhas de vacinação contra a gripe, importante pois, apesar de não cobrir a COVID-19, pode evitar outra infecção respiratória, além de reduzir possíveis confusões de sintomas e evitar o sufocamento do Sistema Único de Saúde (SUS). É também redobrada a recomendação de evitar aglomerações de pessoas e viagens a locais com histórico de transmissão da doença.

Ao observar a manifestação de sintomas, quais os serviços de saúde são indicados a serem procurados?

Caso manifestem sintomas, as pessoas devem sempre procurar a Unidade Básica de Saúde da região onde residem para buscar orientações sobre exames e procedimentos.

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