Equilíbrio e leitura: estudo revela relação entre habilidades motoras e desempenho escolar

Pesquisa, realizada com crianças do ensino fundamental, aponta possível relação entre o desenvolvimento do equilíbrio corporal e o desempenho em leitura, escrita e compreensão de textos.


24 de junho de 2026


O estudo realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Fonoaudiológicas da Faculdade de Medicina da UFMG, pela mestranda Ana Beatrice Peixoto Mário, investigou a relação entre o equilíbrio postural e a literacia (leitura e escrita) em crianças. 

A pesquisa foi realizada com 70 estudantes, com idades entre 7 e 11 anos, matriculados do 2º ao 5º ano do Ensino Fundamental. Para encontrar os resultados, as crianças foram submetidas a testes de leitura, escrita e equilíbrio corporal. Das crianças participantes, 55,7% (cerca de 39 crianças) eram meninas e 44,3% (cerca de 31 crianças) eram meninos. Desses, 82,9% (cerca de 58) tinham um hábito regular de leitura e 81,4% (cerca de 57) praticavam atividades físicas regularmente. 

A pesquisa apontou que existe uma associação entre o controle postural e habilidades de leitura e escrita, o que abre espaço para a discussão de que melhores níveis de equilíbrio e resposta vestibular promovem a compreensão textual, fluência de leitura e velocidade de escrita. Além disso, a postura durante a leitura parece refletir o grau de integração sensorial, reforçando a necessidade de novos estudos com amostras maiores e diferentes delineamentos.

“A via motora precisa da integração sensorial para responder adequadamente, se ela não souber o que está acontecendo no nosso meio externo, ela não vai conseguir se adequar. O simples ato de você olhar para algo e fixar o seu olho é um ato motor, tudo isso precisa de propriocepção e precisa do sistema integrado como um todo e aí entra mais uma vez o equilíbrio para ajudar”, observa a pesquisadora. 

O que o movimento da cabeça tem a ver com a leitura?

Um dos achados do estudo surgiu quando eram observadas as crianças lendo em voz alta. Durante a pesquisa, foi possível verificar que alunos que movimentavam a cabeça lateralmente durante a leitura apresentaram índice vestibular médio de 92,6%, enquanto aqueles que mantinham a cabeça mais estável registraram média de 95,3%. 

De acordo com Ana, o equilíbrio é uma associação entre as informações visuais, proprioceptivas e vestibulares. Dessa forma, é possível fazer com que essas informações sensoriais sejam processadas pelo seu córtex, e assim mandar informação para os músculos fazerem a adequação. 

 “É possível que, quando o seu cérebro não precisa prestar muita atenção no seu equilíbrio, porque você já tem ele bem consolidado, ele consegue prestar mais atenção em outras coisas”, conclui a pesquisadora. 

Leia a matéria completa no site da Faculdade de Medicina da UFMG.