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Testagem e vacinação para hepatites virais estão disponíveis no SUS

Projeto na Região Metropolitana de Belo Horizonte oferece cuidados e prevenção de infecções sexualmente transmissíveis para jovens mulheres transexuais, travestis e homens que fazem sexo com homens.


28 de julho de 2021 - , , , ,


A campanha “Julho Amarelo”, instituída oficialmente no Brasil em 2019, levanta o debate sobre a prevenção e o controle das hepatites virais. Essas infecções podem ocorrer por relações sexuais desprotegidas, entre outras formas, e alguns quadros preocupam infectologistas por danos permanentes no fígado.

Na região de Belo Horizonte, o projeto PrEP 15-19 é desenvolvido pela UFMG em parceria com a USP e UFBA e oferece testagem trimestral com acompanhamento de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) no grupo de jovens mulheres transexuais, travestis e homens que fazem sexo com homens, além de outros cuidados na saúde dessa população.

O professor da Faculdade de Medicina da UFMG e um dos coordenadores do projeto PrEP 15-19, Mateus Westin, explica que as hepatites B e C são as que mais preocupam os infectologistas.

“Elas não são autorresolutivas, ou seja, podem ficar no organismo por muitos anos, de forma crônica. A hepatite C cronifica mais do que a B, mas ambas podem permanecer no organismo indefinidamente se não forem tratadas. Neste período de anos, elas podem causar cirrose e câncer hepático, mas também manifestações renais, como glomerulonefrites”, alerta. Ele cita, ainda, manifestações hematológicas e autoimunes como consequências de casos não tratados.

Tipos

As hepatites (que são inflamações do fígado) podem ser virais, sendo as A, B e C mais importantes do ponto de vista epidemiológico pelo número de pessoas acometidas. Outros processos não virais que podem causar hepatite são o consumo excessivo de álcool, gorduras, quadros de obesidade e dislipidemias (alteração das gorduras no sangue).

Existem vacinas para os vírus causadores das hepatites A e B. No caso da A, a imunização está disponível para todas as crianças dentro do calendário vacinal desde 2014. A hepatite A é de menor risco para danos permanentes no fígado. Por também ser transmitida por água e alimentos contaminados, muitos dos adultos já tiveram contato com o vírus da hepatite A e desenvolveram imunidade e proteção duradoura.

No caso da infecção pelo vírus causador da hepatite B, há uma preocupação especial com as gestantes.

“A transmissão da mãe para a criança é muito alta no momento do parto se a mãe não for diagnosticada e tratada com antiviral, que tem a capacidade de reduzir a carga viral no sangue da mãe, diminuindo muito esse risco de transmissão. Assim que a criança nasce, deve receber a imunoglobulina e ser imediatamente vacinada na própria maternidade”, explica Westin.

A boa notícia é que mães positivas para hepatite B não estão impedidas de amamentar, desde que não haja feridas e fissuras no mamilo. “Alguns estudos já demonstraram que o risco de transmissão pela amamentação é praticamente zero, se tornando zero quando a lactante está em tratamento”, tranquiliza o professor. A imunização está disponível no SUS para crianças, adultos e idosos, habitualmente em três doses.

Dentre as principais hepatites virais, a que ainda não conta com vacina é a hepatite C. Como pode ser transmitida por objetos perfurocortantes contaminados, a hepatite C (que pode causar quadros crônicos) é uma grande preocupação no cenário de compartilhamento de instrumentos para uso de drogas, principalmente injetáveis, como seringas, mas também inalatórias, como canudinhos e cachimbos.

Testagem

O projeto PrEP 15-19 oferece testagem regular para hepatites, a cada três meses, que ocorre em paralelo à testagem de sífilis e HIV. Quando os participantes não estão infectados e não têm anticorpos para as hepatites A e B, a equipe encaminha relatório para as unidades de saúde vacinarem os jovens. Além da testagem regular, o projeto oferece preservativos e lubrificantes.

“São insumos de fundamental importância para diminuir o risco de transmissão de qualquer IST, incluindo hepatites A, B e C, sífilis e HIV”, completa.

PrEP 15-19 

PrEP 15-19 é um estudo desenvolvido em três capitais brasileiras, Salvador (BA), Belo Horizonte (MG) e São Paulo (SP), entre adolescentes de 15 a 19 anos que se identifiquem como mulheres transexuais ou travestis ou como homens cisgêneros gays, bissexuais ou que fazem sexo com outros homens (HSH). O objetivo é avaliar a efetividade da Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) nessa população. 

Arte: PrEP 15-19 Minas

A PrEP oral é uma medida de prevenção do HIV de uso diário que consiste na tomada de um comprimido composto por medicamentos antirretrovirais. A proteção contra o HIV é elevada, chegando a 98% de eficácia se utilizada da maneira correta. O objetivo mais abrangente do projeto é contribuir com a diminuição da incidência do HIV na população alvo do estudo.

A Unitaid, agência das Nações Unidas (ONU), é financiadora do projeto PrEP 15-19, que conta ainda com apoio do Ministério da Saúde e de Secretarias de Saúde, que disponibilizam os medicamentos da PrEP, além de antibióticos, vacinas e outros insumos de prevenção do HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis (IST). 

Ainda é oferecido aos e às participantes um conjunto de ações de cuidado com a saúde sexual, como: testagem para detecção de HIV (incluindo o autoteste), testagens para outras IST (sífilis, hepatites, clamídia e gonorreia), oferta de materiais informativos, aconselhamento sobre HIV e outras IST, preservativos, gel lubrificante, Profilaxia Pós-exposição ao HIV (PEP), encaminhamento para vacinação contra hepatites virais (A e B) e papilomavírus humano (HPV) na rede municipal de saúde.

Como participar

Interessados podem entrar em contato pelo WhatsApp do projeto (31) 9 9726-9307 ou pelo Instragram @nodeumatch. A assistência virtual Amanda Selfie também pode ajudar. É só chamá-la para conversar no site ou no Facebook: @amandaselfie.

Leia também: Julho Amarelo: campanha conscientiza sobre prevenção das hepatites

Com assessoria de comunicação da PrEP 15-19 Minas