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Anti-inflamatórios associados aos remédios para hipertensão prejudicam os rins

Podcast “Saúde com Ciência” explica quais hábitos contribuem para o desenvolvimento da hipertensão e o controle da doença, além do que não fazer durante o tratamento.


23 de maio de 2022 - , , , , , ,


Um dos grandes alertas que a comunidade científica faz para a população é sobre o risco de misturar medicamentos anti-inflamatórios com os indicados para o tratamento da hipertensão. Um estudo recente da Universidade de Waterloo, do Canadá, mostra que essa associação pode provocar desidratação severa e prejudicar a saúde dos rins.

Popularmente conhecida como pressão alta, a hipertensão se caracteriza quando a pressão do sangue na parede das artérias fica acima dos limites considerados normais. De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde, a doença acomete mais de um quarto das mulheres adultas e quatro em cada 10 homens adultos no continente.

A pesquisa feita na instituição canadense explica que os medicamentos para a hipertensão têm função diurética. O ibuprofeno pode intensificar o quadro de desidratação quando o paciente não toma as doses de água adequada.  

O professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG, Bruno Ramos Nascimento, convidado da semana do podcastSaúde com Ciência”, acrescenta que os anti-inflamatórios quando usados em doses altas, ou por muito tempo, podem causar lesão renal, principalmente para indivíduos que têm outras causas para problemas renais. Essa classe de medicamentos é usada para diversos sintomas, como os relacionados à dor muscular e dor de cabeça.

Por outro lado, a hipertensão é um fator de risco para a doença renal. Com isso, a associação de hipertensão com o uso indiscriminado de anti-inflamatórios pode ser prejudicial. Além disso, o uso desses medicamentos pode diminuir a eficácia daqueles usados para a hipertensão.

“Os anti-inflamatórios, no caso do Ibuprofeno, são extremamente populares e facilmente vendidos em farmácias, sem receita. É importantíssimo que a população entenda que o uso indiscriminado desses medicamentos pode ser lesivo para o organismo de diversas formas”, reforça o professor.

Lembrando que na maioria dos casos a hipertensão não apresenta sintomas. Por isso, a aferição periódica é a principal forma de diagnóstico, o que pode ser feito de forma simples e não invasiva em Unidades Básicas de Saúde.

Baixa adesão ao tratamento

Hábitos de vida como abuso de álcool, sedentarismo e alimentação rica em sódio contribuem para o desenvolvimento da hipertensão, doença que também está associada a fatores genéticos. Para se ter uma ideia, o sobrepeso e a obesidade podem acelerar em até 10 anos o aparecimento da doença, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Um dos maiores desafios com relação ao tratamento da hipertensão arterial é a adesão correta tanto ao tratamento medicamentoso quanto à adoção de hábitos mais saudáveis. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde, apenas alguns países do continente americano apresentam uma taxa de controle da hipertensão populacional superior a 50%.

O tratamento se baseia no uso de um medicamento, que é otimizado até chegar na maior dose possível ou tolerável. Quando isso acontece, outro medicamento passa a ser receitado.

“O tratamento conta com arsenal grande, muito bem estudado e seguro. Cada vez temos menos efeitos colaterais”, afirma Nascimento.

De acordo com o especialista, é importante as pessoas não se automedicarem e não alterarem por conta própria a dose nos medicamentos hipertensivos. Isso porque, muitas vezes, a pessoa que tem hipertensão mede os níveis de pressão em casa e, quando estão mais altos ou mais baixos, ela mesmo faz o ajuste dos medicamentos. “E isso dificulta o controle por parte do médico e torna o controle da hipertensão quase impossível ao longo do tempo. Então, a automedicação e mudança na dose por conta própria deve ser evitada a qualquer custo”, conclui.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento e acompanhamento para o controle da hipertensão. Para retirar os medicamentos, é preciso apresentar um documento de identidade com foto, CPF e receita médica dentro do prazo de validade.

Programa Saúde com Ciência

Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a quinta-feira, às 5h, 8h e 18h. Também é possível ouvir o programa pelo serviço de streaming Spotify