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Cobertura vacinal contra a febre amarela registrou queda durante a pandemia

Estudo coordenado pela Escola de Enfermagem adverte para o risco de nova onda da doença em centros urbanos brasileiros.


09 de junho de 2022 - , , ,


Vacinação contra a febre amarela na Escola de Enfermagem
Vacinação contra a febre amarela na Escola de Enfermagem: estudo ecológico. Foto: Rosânia Felipe | Escola de Enfermagem da UFMG

Estudo realizado por pesquisadores da Escola de Enfermagem da UFMG revelou que, desde o início da pandemia de covid-19, houve uma redução no número de doses da vacina contra a febre amarela administradas em quatro regiões do Brasil. Os dados mostram que, na região Norte, foi registrada queda de 34,71%, na Centro-Oeste, 21,72%, na Sul, 63,50%, e na Sudeste, 34,42%.

Segundo a professora do Departamento de Enfermagem Materno Infantil e Saúde Pública Tércia Moreira Ribeiro da Silva, o objetivo do trabalho foi analisar o número de doses da vacina contra febre amarela aplicadas antes e durante a pandemia. “É um estudo ecológico, de série temporal, baseado em dados do Programa Nacional de Imunizações. Concluímos que a redução do número de doses da vacina pode favorecer o ressurgimento de casos de febre amarela urbana no país”, afirma.

A febre amarela é uma doença hemorrágica causada por um vírus do gênero flavivírus, que se destaca entre as doenças infecciosas que podem ser evitadas por meio de vacinas. É comum em 47 países de baixa e média renda nos continentes africano e sul-americano. Caracterizada por níveis variados de gravidade e letalidade, é responsável por ao menos 60 mil mortes por ano. Segundo estimativas, no período de 2000 a 2021, a doença apresentou taxa de letalidade de 47,8%, considerada elevada.

Causas
Tércia Moreira explica que muitos fatores têm favorecido a redução da cobertura vacinal, como a implantação do novo sistema de informação sobre imunização (SI-PNI), as dimensões sociais e culturais que afetam a aceitação da vacinação e a disponibilidade inconstante de imunobiológicos nos serviços de Atenção Básica. “Além disso, a cobertura vacinal no Brasil não é homogênea. Investigar e monitorar zonas de baixa cobertura vacinal é um eixo estratégico de boas práticas de gestão voltadas aos programas de imunização e preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS)”, ressalta.

A professora alerta para o risco do advento de nova onda de febre amarela no país. “Tendo em vista que a redução nas doses administradas da vacina contra febre amarela no país pode ter sido agravada pela pandemia de covid-19 e que a incidência em cidades de grande porte pode favorecer o ressurgimento da febre amarela urbana, os resultados desse estudo podem orientar estratégias e políticas de saúde focadas em zonas geográficas prioritárias que mostraram diminuição da taxa de doses de vacina contra febre amarela administradas ao longo do tempo”, conclui.

Além da professora Tércia, o artigo é assinado pelos docentes Ed Wilson Rodrigues Vieira e Fernanda Penido Matozinhos, pela residente de pós-doutorado Ana Carolina Micheletti Gomide Nogueira de Sá, pelo estudante de graduação Elton Junio Sady Prates, todos da Escola de Enfermagem, e pela professora da Faculdade de Medicina da UFMG Daiana Elias Rodrigues.


Assessoria de Comunicação da Escola de Enfermagem