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Invisíveis, mulheres lésbicas enfrentam barreiras para cuidar de sua saúde sexual

Elas estão tão expostas à contaminação por IST quanto mulheres heterossexuais, adverte professora da Faculdade de Medicina


23 de julho de 2021 - , , , , , , , ,


A saúde sexual da mulher continua sendo um tabu, e a dificuldade é ainda maior em relação às mulheres lésbicas. Apesar do mito segundo o qual o sexo lésbico não transmite doenças, pesquisa feita com 150 mulheres que mantêm relações com pessoas do mesmo sexo, veiculada no Public Health, indica que quase metade delas (71) contraíram alguma infecção sexualmente transmissível (IST). A maior parte (45%) foi contaminada pelo vírus HPV. 

Segundo o Ministério da Saúde, existem mais de 150 variações do vírus HPV, das quais 40 delas podem infectar a região genital e provocar cânceres de colo de útero, vulva, vagina e pênis. A principal forma de combate do vírus são as duas doses da vacina, que está disponível gratuitamente em qualquer posto do Sistema Único de Saúde (SUS), para jovens de 9 a 14 anos de idade.

A gestora de projetos Natália Lima demorou a encontrar um atendimento ginecológico que despertasse nela o sentimento de que estava, de fato, sendo acolhida. Ela diz que se sentiu incomodada com questionamentos sobre sua sexualidade e por ter recebido orientações erradas sobre os exames necessários. Devido a sua persistência em buscar um acompanhamento adequado, conseguiu descobrir a presença do vírus HPV em seu organismo ainda no início, por meio de um exame de rotina, o Papanicolau. 

Para a pesquisadora do Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT da UFMG Joana Ziller, a “invisibilização” da comunidade LGBQT+ é responsável por uma série de omissões em diversos setores, entre eles o da saúde. 

A prevenção ainda é a melhor forma de impedir a contaminação, mas manter os exames em dia pode ajudar na descoberta de alguma doença no estágio inicial, o que amplia as chances de sucesso no tratamento, conforme explica a professora Marilene Monteiro, do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da UFMG. Para ela, alguns profissionais da saúde ainda não estão preparados para lidar com pacientes lésbicas, e, muitas vezes, elas não realizam testes preventivos por conta dessa falta de orientação. 

A professora enfatiza a importância do acompanhamento anual para todas as mulheres, independentemente da orientação, após a primeira relação sexual. Alguns exames necessários: de toque (mamas, abdome e genitália), ultrassonografias, papanicolau (a partir dos 25 anos) e mamografia (a partir dos 40 anos). 


Entrevistadas: Natália Lima (gestora de projeto), Marilene Monteiro (ginecologista da UFMG), Joana Ziller (pesquisadora do Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT da UFMG)

Equipe: Bruna Gomes e Luiza Galvão (produção), Marcelo Duarte (edição de imagens), Naiana Andrade e Ruleandson do Carmo (edição de conteúdo)

Redação: Centro de Comunicação da UFMG