Medicina nuclear: utilização e diferenças com a radiologia

Programa de rádio destaca os materiais utilizados na medicina nuclear, suas aplicações diagnósticas e terapêuticas


04 de agosto de 2017


Programa de rádio destaca os materiais radioativos utilizados na medicina nuclear, suas aplicações diagnósticas e terapêuticas e a realidade da especialidade no país

A tecnologia nuclear costuma ser lembrada quando o assunto é sua utilização para gerar energia ou mesmo para finalidades bélicas. Essa ideia das possíveis aplicações de materiais radioativos pode levar a concepções equivocadas sobre outras formas de uso, caso da medicina nuclear. A especialidade médica utiliza materiais com baixas doses de radiação, tornando suas práticas seguras e, mesmo que novas tecnologias estejam em desenvolvimento, a medicina nuclear tem sua utilização estabelecida e eficácia verificada.

“Embora a medicina nuclear seja uma área onde ocorrem inúmeros avanços tecnológicos, ela é uma especialidade já muito estabelecida, com farta literatura que comprova sua aplicação clínica. Nesse aspecto, ela também é uma especialidade que envolve procedimentos bastante seguros”, avalia a professora da Faculdade de Medicina e coordenadora do Serviço de Medicina Nuclear do Hospital das Clínicas da UFMG, Viviane Parisotto.

A especialidade tem apresentado avanços significativos nas áreas de diagnóstico cardiológico, neurológico e oncológico. Na área da oncologia, por exemplo, a aplicação terapêutica vem se destacando com os resultados para o tratamento do câncer de próstata metastático não responsivo aos tratamentos disponíveis. Um dos fatores que garante a ausência de riscos nos procedimentos realizados pela medicina nuclear diz respeito à dose de radiação ministrada ao paciente.

O também professor do Departamento de Anatomia e Imagem da Faculdade de Medicina, Marcelo Mamede, cita essa característica da especialidade. “A quantidade de material usada principalmente para o diagnóstico é muito pequena, então ela não leva um risco à sociedade. Não podemos comparar medicina nuclear com a produção nuclear de energia, por exemplo, é completamente distinta essa conexão”, afirma.

Foto: Reprodução | Internet

Radiologia e medicina nuclear

Ambas são especialidades médicas que utilizam da radiação para obter imagens e diagnósticos, mas existem diferenças que as distinguem tanto no aspecto técnico quanto nos resultados obtidos. “A radiologia utiliza uma fonte externa, que seria o tubo do raio-x, que emite o raio que passa pelo paciente e, de acordo com as densidades que o indivíduo tem no corpo, aquilo vai ter um certo nível de bloqueio, sendo absorvido ou atenuado”, explica Marcelo Mamede.

“Isso é detectado nos detectores que ficam por trás do paciente e aí você vai ver as diferenças de densidade. Na medicina nuclear é ao contrário, uma dose de material radioativo é administrada no paciente, e ele passa a emitir uma radiação. Esse indivíduo então é colocado dentro de um equipamento que detecta a radiação emitida de dentro de seu corpo”, completa o professor.

Além da diferença na forma como os processos são realizados, os resultados obtidos pelas especialidades são diferentes. No caso da radiologia, os diagnósticos permitem uma análise das alterações morfológicas das estruturas internas do corpo da pessoa examinada, ou seja, das mudanças ocorridas em seu formato. Já na medicina nuclear, os resultados permitem a análise do funcionamento dessas estruturas. Portanto, cada especialidade é empregada segundo o objetivo a ser atingido com o exame diagnóstico.

Sobre o programa de rádio

Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h.

O programa também é veiculado em outras 187 emissoras de rádio, distribuídas por todas as macrorregiões de Minas Gerais e nos seguintes estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Massachusetts, nos Estados Unidos.

Redação: Bernardo Estillac | Edição: Lucas Rodrigues