Transtornos alimentares são mais frequentes em pacientes do sexo feminino

Pressão por padrões estéticos pode ser uma das causas para o surgimento de anorexia, bulimia e compulsão alimentar


19 de setembro de 2022 - , , ,


Os transtornos alimentares afetam cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo o site Agência Brasil, e aparecem com mais frequência em pacientes do sexo feminino. Isso pode ser explicado pelos padrões estéticos que a sociedade impõe, uma das possíveis causas para o aparecimento de transtornos como anorexia, bulimia e compulsão alimentar.

Em entrevista ao Saúde com Ciência desta semana, a professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG e coordenadora do Núcleo de Investigação de Anorexia e Bulimia do Hospital das Clínicas da UFMG (Niab), Ana Maria Lopes, explica que “a sociedade hipervaloriza a magreza, dessa imagem ideal que é passada […] Então, há uma ocorrência maior, sobretudo dos transtornos anoréxicos ou bulímicos no sexo feminino”.  

Dentro desses padrões estéticos, a professora ainda ressalta que as redes sociais influenciam diretamente nessa cobrança pelo corpo perfeito, o que pode afetar a saúde mental na busca excessiva por ele. Algumas páginas ou grupos, por exemplo, incentivam práticas anoréxicas e perda de peso de modo não saudável.

Dessa forma, é necessário ter cautela e buscar páginas confiáveis, que contenham informações seguras sobre saúde.

Estigmatização e acolhimento dos pacientes

Para os pacientes diagnosticados com transtornos alimentares, é necessário que não haja estigmatização dos quadros, já que ela dificulta na busca por tratamento. “É importante para uma jovem, por exemplo, que tem um quadro de anorexia, ter tranquilidade para comunicar essa situação para o parceiro ou família”, ressalta a professora.

“O papel da família é fundamental na parceria para o tratamento desses transtornos alimentares graves”

Além de ser importante no processo de melhora dos transtornos, os familiares e pessoas próximas também são essenciais na percepção dos sinais do transtorno e alertar para a busca de tratamento, já que, muitas vezes, os próprios pacientes não conseguem identificar o problema.

“Se você perguntar para uma paciente anoréxica se está necessitando de tratamento, ela vai te responder que não, porque, na percepção dela, precisa perder mais peso. Então, temos que lidar com esses pacientes de forma cuidadosa para fazer uma abordagem que vise, sobretudo, preservar a vida e reduzir os danos que os transtornos alimentares graves provocam”, conclui Ana Maria Lopes.

Saúde com Ciência

O programa de rádio Saúde com Ciência desta semana aborda os tipos mais comuns de transtornos alimentares, sintomas, diagnóstico, formas de tratamento e acolhimento dos pacientes.

Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h. Também é possível ouvir o programa pelas principais plataformas de podcasts.


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