Congregação aprova Projetos Pedagógicos visando melhoria no aprendizado e na saúde mental de estudantes

Projetos comprometidos com a melhora do aprendizado e da qualidade de vida foram encaminhados para a Câmara de Graduação da UFMG, última etapa antes da implementação.


21 de setembro de 2022 - , , , ,


Novos currículos foram discutidos por professores e alunos. Foto: Faculdade de Medicina da UFMG.

A Congregação da Faculdade de Medicina da UFMG aprovou um novo Projeto Pedagógico do Curso (PPC) de graduação em Medicina, em reunião extraordinária realizada dia 14 de setembro. As mudanças visam adequar o curso às diretrizes da UFMG e do Ministério da Educação (MEC), além de avançar em temas como acessibilidade e redução da carga horária. Agora, o projeto será avaliado pela Câmara de Graduação da UFMG, onde já estão os novos PPCs dos outros dois cursos da Faculdade (Fonoaudiologia e Tecnologia em Radiologia).

O projeto aprovado foi desenvolvido pelo Núcleo Docente Estruturante (NDE), com participação dos representantes estudantis. A proposta já havia sido apreciada pelo Colegiado de Curso de Medicina e recebeu anuência departamental em relação às atividades ligadas aos Departamentos. 

A diretora da Faculdade de Medicina da UFMG, Alamanda Kfoury, celebra o momento de renovação na Faculdade. “Foi um processo necessário para atender a determinantes legais, Diretrizes Curriculares Nacionais e normas institucionais, porém o mais importante é a oportunidade para aprimoramento e modernização da estrutura curricular dos cursos, com a otimização de carga horária, permitindo a implementação de metodologias capazes de oferecer mais qualidade do que quantidade”, pontua.

Para a diretora, os destaques são os avanços na gestão do tempo, com maior flexibilização para que o estudante busque ampliar sua formação e encontrar seus caminhos. “Sem dúvida, uma iniciativa capaz de contribuir para promover saúde mental e protagonismo estudantil”, felicita.

Um dos destaques do novo PPC de Medicina será a adequação da carga horária para as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) dos Cursos de Graduação em Medicina, estabelecidas pelo MEC. A mudança reduz a carga horária mínima integralizada de 8.085 horas para 7.290 horas. “As mudanças partem de muitos anos de reflexão do NDE, que observou a sobrecarga de horas de aulas presenciais e atividades extracurriculares dos cursos de Medicina no país, afetando a saúde física e mental. Sobra pouco tempo para o aluno, o que gera ansiedade e comprometimento de horas de sono”, relata a vice-diretora da Faculdade de Medicina da UFMG, Cristina Alvim. 

A reforma não altera a estrutura dos conteúdos, sendo mantidas as 80 atividades (entre disciplinas e estágios), mas equilibra a gestão do tempo e flexibiliza as atividades que integralizam créditos, buscando atender mais opções do interesse do estudante. “A ideia é reduzir o tempo semanal dedicado a aulas teóricas, em especial nos anos iniciais, período em que os estudantes se adaptam à vida universitária. Também teremos um teto mais baixo ao longo dos períodos. No internato, o 12º período também terá menor carga horária, uma vez que é comum os alunos se prepararem para provas de residência”, explica a professora Cristina Alvim. Um exemplo da mudança é a carga horária semanal do primeiro período, que passará de 35 horas para 28, uma redução de 20%.

Objetivo geral: Formar um médico com competências essenciais para atuar na atenção integral à saúde dos indivíduos e da população, com excelência técnica, responsabilidade social, ética e humanismo. O formando deve exercer a prática médica de forma integrada com as demais instâncias do sistema de saúde, sendo capaz de pensar criticamente, trabalhar em equipe, analisar os problemas de saúde da sociedade e propor soluções”, trecho do novo PPC da Medicina, aprovado pela Congregação. 

Novo PPC, novos programas

O PPC irá guiar a mudança nos programas das disciplinas, que deverão se adequar às novas cargas horárias. Agora, o foco é em metodologias ativas. “O que a literatura mostra é que as atividades em que o aluno é protagonista funcionam melhor do que as que ele tem papel passivo. Outro ponto é a estimulação do trabalho em equipe, fundamental na área da saúde, seja na mesma profissão ou interprofissional”, completa a vice-diretora.

Outro desafio que os programas das disciplinas irão contemplar é a seleção de conteúdos essenciais ao perfil de egresso do novo PPC, que é o médico generalista, voltado para a atenção primária à saúde (APS) e urgência de baixa complexidade. O documento também considera as mudanças geracionais, que impactam no processo de ensino-aprendizagem.

“Devemos buscar uma harmonia entre as disciplinas e não uma disputa pelo tempo dos estudantes. Queremos que o PPC torne o ambiente de aprendizagem mais prazeroso e menos assustador e estressante, com cuidado e respeito pelas pessoas, compromisso de melhoria na qualidade do processo de ensino-aprendizagem e qualidade de vida de todos nós da comunidade acadêmica. Se nos enxergarmos como parte e protagonistas desta mudança, ela se torna mais significativa e com mais possibilidade de êxito. Pedimos participação e colaboração e engajamento de todos setores”

Professora Cristina Alvim, vice-diretora da Faculdade de Medicina.

A professora Cristina Alvim também cita o avanço nas discussões sobre ética. “O PPC é comprometido com a nossa responsabilidade com os pacientes, com a sociedade que nos mantém, que tem expectativa em mudanças sociais no modelo de atenção à saúde, visando as pessoas mais vulneráveis, entendendo a saúde como direito de todo cidadão”, analisa.

Além das novas diretrizes institucionais, o PPC contempla as Normas Gerais de Graduação da UFMG e a integralização de 10% da carga horária como extensão, que é uma exigência do MEC. A curricularização da extensão é uma estratégia prevista no Plano Nacional de Educação (PNE) e foi regulamentada pela Resolução nº 7 MEC/CNE/CES, de dezembro de 2018.

O aumento da carga horária de extensão também permeou os trabalhos dos Colegiados de Fonoaudiologia e Radiologia. A coordenadora do Colegiado do Curso Superior de Tecnologia em Radiologia, Priscila do Carmo Santana, pontua que a descrição de atividades com caráter extensionista foi prioridade.

Além da adequação à normativa, o curso de Tecnologia em Radiologia aproveitou a oportunidade da reformulação do PPC para oficializar as iniciativas que vinham dando certo. “A Radiologia já vinha se adaptando às necessidades dos alunos e do mercado. Assim, nesse novo PPC oficializamos tudo que deu certo, como a introdução da disciplina de Citologia e Histologia no primeiro semestre do curso e os novos campos de estágio, que foram conquistados ao longo dos anos”, explica a coordenadora.

Na Fonoaudiologia, o foco foi na relação entre saúde coletiva e funcionalidade. “Nosso currículo priorizou a atenção básica desde o primeiro período. A saúde coletiva e a funcionalidade são os eixos transversais, que perpassam toda a estrutura curricular. Vai ser um ganho para nossos alunos, uma vez que a proposta vai em consonância com o que o SUS preconiza”, analisa a coordenadora do Colegiado do Curso de Fonoaudiologia, Laelia Cristina Caseiro Vicente.

A base do desenho curricular da Fonoaudiologia foi a flexibilização e a proposição de múltiplas trajetórias de formação. Dessa forma, o curso passou a ter três percursos curriculares (Bacharelado com Núcleo Geral; Bacharelado com Núcleo Complementar; e Bacharelado com Núcleo Geral e Avançado), sendo uma opção a mais do que no modelo anterior. O curso ainda adequou a carga horária extensionista com a oferta de disciplinas e projetos, cumprindo as normativas legais. 

A intenção da reforma fica explícita em trecho do PPC, que defende a possibilidade de diferentes percursos formativos como forma de autonomia do “estudante para definir com liberdade a construção da sua formação intelectual e seu diferencial profissional, vivenciando plenamente a Universidade”.   

Após a deliberação da Câmara de Graduação da UFMG, a Faculdade de Medicina irá fazer o planejamento da implementação, com a transição entre os atuais PPC e os novos. 

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