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Saúde mental requer cuidado maior com a pandemia

Os serviços de atenção à saúde mental da Faculdade de Medicina e da UFMG se adaptaram às orientações de prevenção da covid-19 e continuam ofertando acolhimento para a comunidade acadêmica. Saiba mais sobre eles.


23 de setembro de 2021 - , , , , , , , ,


A pandemia de covid-19 já tem 18 meses de duração e ainda não se sabe quando terá um fim. Essa sensação de incerteza, a ausência de controle, alterações na rotina e as perdas ocasionadas pelo vírus são alguns fatores que repercutem também na saúde mental. Por isso, é necessário atenção maior para reconhecer de que forma os impactos dessas mudanças estão afetando a própria pessoa ou aquelas próximas. Além disso, é importante seguir uma rotina de hábitos saudáveis, ainda que haja mais dificuldade neste momento, e não hesitar em procurar ajuda profissional se for o caso, como orienta o psiquiatra e professor do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG, Antônio Alvim Soares.

“Durante a pandemia, independentemente da idade, é importante que todos busquem ter hábitos saudáveis, na alimentação, uma rotina preparada, manter o horário de sono regular, horários para as refeições e a prática de exercício físico – o que é de extrema importância, porque acaba sendo, inclusive, um contato com a natureza, sem contar todos os benefícios do ponto de vista cardiovascular e da saúde mental. Essas ações podem parecer pequenas, mas ajudam a manter nossa saúde mental”

Professor Antônio Alvim Soares

Ele também destaca que “uma coisa importante entre os impactos da pandemia é que temos que estar atentos a nós mesmos e às pessoas ao nosso redor”. “Alteração de sono ou de apetite, rebaixamento de humor, sentimento de tristeza, de vazio, de que a vida não tem mais sentido, de que o futuro é algo incerto e que não vale a pena enfrentar são alguns sinais de alerta que temos que tomar cuidado e prestar atenção em relação a nossa saúde mental e a das pessoas ao nosso redor”, completa.

Nesses casos é importante procurar um psicólogo ou psiquiatra. E, segundo o professor, essa ação deveria ser mais comum, mas ainda é necessário que a sociedade desfaça dos preconceito acerca das doenças mentais e do buscar ajuda. “Muitas vezes associa-se pedir ajuda com fraqueza, mas na verdade vencer nosso próprio orgulho e expectativas é um ato de coragem. Então a primeira estratégia de prevenção ao suicídio é proporcionar o acesso a um tratamento psiquiátrico de qualidade”, pontua.

“Nesse aspecto, a Faculdade de Medicina se pauta sempre no cientificismo, já que somos um lugar que gera conhecimento e ciência”, afirma. “E hoje, o que a ciência demonstra como atividades mais importantes de prevenção ao suicídio dentro de um ambiente acadêmico é, primeiramente, a conscientização das pessoas acerca dos transtornos mentais, reconhecer em mim, no meu colega de trabalho ou de turma que algo está errado. A segunda estratégia importante é o acesso ao tratamento”, completa.

Nesse cuidado, a Faculdade tem um grupo de trabalho para implementação e acompanhamento das ações de Saúde Mental da Instituição, integrado por um representante da sua Diretoria, do Diretório Acadêmico Alfredo Balena (DAAB), Centro Acadêmico de Fonoaudiologia, Diretório Acadêmico Madame Curie (DAMC), Escuta Acadêmica, Núcleo de Apoio Psicopedagógico aos Estudantes (Napem), Departamento de Saúde Mental, Recursos Humanos e o Centro de Comunicação Social.

Serviços Permanentes da Faculdade de Medicina para receber apoio psicológico e psicopedagógico dentro da Instituição

Escuta Acadêmica

A Assessoria de Escuta Acadêmica é vinculada ao Centro de Graduação e é um espaço para acolhida, escuta, orientação e encaminhamento dos estudantes. Pode ser procurada nos casos de necessidade de acolhimento e orientação em questões que possam revelar situações subjetivas de dificuldades pessoais e sofrimento e ultrapassem os trâmites exclusivamente administrativos; dificuldades que interferem no rendimento acadêmico; para solicitar regime especial; dialogar e dar encaminhamentos sobre reclamações institucionais; orientação sobre recursos contra desligamento da UFMG e mais.

Acesse medicina.ufmg.br/cegrad/escuta-academica.

Napem

O Núcleo de Apoio Psicopedagógico aos Estudantes da Faculdade de Medicina oferece ajuda aos alunos com problemas emocionais já existentes ou dificuldades encontradas durante o curso. Pode ser procurado sempre que o estudante sentir que está precisando de ajuda, independente se for uma queixa acadêmica, pessoal ou psicológica.

Acesse: medicina.ufmg.br/napem

Tutoria

A Tutoria é um programa que faz parte do currículo médico da Faculdade de Medicina da UFMG, ofertando acolhimento e atenção ao aluno com o objetivo de acompanhar sua formação. Assim colabora com seu desenvolvimento técnico e emocional, de forma humanizada, procurando detectar dificuldades e problemas significativos neste processo de formação e providenciando apoio, encaminhamento e cuidados especializados quando necessário.

Acesse: medicina.ufmg.br/napem/tutoria

Ponto de Encontro

O Ponto de Encontro é voltado aos funcionários, servidores e terceirizados, com o objetivo de atender demandas e dificuldades emocionais que impactam no seu ambiente de trabalho. Pode ser procurado quando houver alguma questão de saúde mental ou organização e gestão de trabalho.

Acesse: medicina.ufmg.br/pontodeencontro

Confira os demais serviços da UFMG em www.ufmg.br/saudemental.

Serviços externos

Antônio Alvim chama a atenção para que todos conhecem os serviços de saúde e reconheçam quais os recursos são ofertados na proximidade. “Em Belo Horizonte há os centros de Referência em Saúde Mental (Cersam), que são responsáveis pelo atendimento dos casos de urgência psiquiátrica e dos casos de crise”, conta. “Para os casos que não configuram urgência podem procurar as unidades básicas de saúde, o centro de saúde próximo de onde residem para que tenham uma consulta com um médico generalista e, caso ele avalie a necessidade, fará o encaminhamento para um psiquiatra”, continua.

Em Belo Horizonte, também há como recurso o Hospital Raul Soares, com atendimento de urgência, mas voltado sobretudo para os pacientes do interior ou da Grande BH, caso não consigam um atendimento no Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) de referência ou se o próprio CAPS avaliar a necessidade de uma atenção mais especializada. 

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