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Faculdade de Medicina participa de estudos da Pfizer com teste de medicamento oral contra covid-19

Inscrições já estão abertas para voluntários com risco aumentado para infecção grave pelo coronavírus e que desejam testar um novo tratamento potencial para prevenir a manifestação da doença


07 de outubro de 2021 - , , , , ,


A Faculdade de Medicina da UFMG foi selecionada como um dos centros que participam dos estudos da Pfizer para testagem de uma medicação oral contra covid-19. Ao todo são três pesquisas que vão avaliar a segurança e eficácia do composto PF-07321332 na prevenção da infecção e dos sintomas causados pelo SARS-CoV-2 em três grupos diferentes.

O professor Jorge Andrade Pinto, coordenador dos estudos na Faculdade, explica que essa medicação é um antiviral inibidor de protease, classe de drogas também utilizadas contra outros vírus como HIV e hepatite C, que impede a replicação completa do vírus. Isso faz com que haja uma redução da carga viral e, então, não ocorra agravamento da doença com manifestações mais sérias dos sintomas e o risco de morte.

“É um dos primeiros estudos feitos com medicação oral e é um grande avanço que se soma as outras estratégias de intervenções, tanto preventivas quanto terapêuticas, contra o coronavírus. Uma vez comprovada a eficácia do medicamento, espera-se produção em larga escala e acesso universal, a exemplo de outras doenças infecciosas globais como HIV e tuberculose”

Jorge Pinto

Medicação contra sintomas da covid-19 em grupos de alto risco

Atualmente estão abertas as inscrições de voluntários para o primeiro estudo (1005) da Pfizer, com o objetivo de avaliar se a medicação reduz a duração e a gravidade da doença em pessoas recentemente diagnosticadas com covid-19 e que tenha risco aumentado para sua forma grave. Neste caso, podem participar pessoas não vacinadas e que não pretendem se vacinar durante a pesquisa, com pelo menos 18 anos e algum fator clínico como índice de massa corporal acima de 25, tabagismo, 60 anos ou mais de idade, diabetes, doença renal crônica, cardíaca ou pulmonar, imunossupressão ou algum câncer em atividade.

Os interessados podem entrar em contato pelo telefone 31-981091143 e email Cov3001.ufmg@gmail.com, apresentar o exame, realizado nos últimos cinco dias, com o resultado positivo para covid-19 ou apenas ter desenvolvido manifestações características da doença. Neste caso, a equipe responsável avaliará os sintomas e fará a testagem. Primeiramente eles serão recebidos no ambulatório São Vicente, do Hospital das Clínicas da UFMG, para coleta de exames e, posteriormente, na Unidade de Pesquisa Clínica em Vacinas (UPqVac) da Faculdade de Medicina da UFMG.

Este é um estudo duplo cego, em que os voluntários são aleatoriamente atribuídos em um grupo que recebe a medicação avaliada ou em um grupo que recebe placebo. O tratamento é feito com duas doses diárias do composto PF-07321332 associado ao ritonavir (usado para aumentar o nível da droga ativa), por cinco dias seguidos.

Já o acompanhamento terá duração de 24 semanas. No primeiro mês há três visitas presenciais e as demais consultas serão feitas por telefone, para monitorar a saúde dos participantes e seus relatos de sintomas, a fim de verificar se o grupo que recebeu o composto evoluiu melhor do que aquele que recebeu placebo. 

A participação nesta pesquisa é gratuita e os voluntários serão ressarcidos com o custo de deslocamento. Embora a pesquisa planeje envolver cerca de 3 mil participantes totais, incluindo todos os centros mundiais, não há limite de recrutamento para a Faculdade de Medicina da UFMG. Mas, a previsão é que essa etapa se encerre ainda neste mês, com resultados finais em até seis meses após esse período.

“Até o momento só existe um antiviral aprovado contra covid-19, o remdesivir, uma medicação venosa usada em pacientes internados. Esse medicamento em teste é oral, usado em pacientes ambulatoriais, em diferentes estágios da doença”

Jorge ressalta como um dos diferenciais dessa novidade.

A equipe do estudo acrescenta que essa é uma oportunidade importante, pois a pessoa pode receber um tratamento fácil de ser seguido por ser oral, que potencialmente impede a manifestação dos sintomas da covid-19, ao mesmo tempo em que contribui em um esforço global para superar esta pandemia.

A medicação será a mesma testada em outros dois estudos da Pfizer em que a Faculdade de Medicina da UFMG também participa. No segundo estudo (1002), previsto para começar na segunda quinzena de outubro, a segurança e eficácia será em relação à população de baixo risco, incluindo pessoas já vacinadas. E o terceiro (1006) terá início até novembro, com o objetivo de verificar o composto em uso preventivo para pessoas que convivem com quem foi diagnosticado com covid-19.

O professor ainda destaca que essa é uma opção a mais contra o coronavírus e não substitui a vacinação. “São frentes de combate diferentes. A frente de combate preventivo com a vacinação é sempre importante quando se lida com uma epidemia de doenças transmissíveis”, pontua. “Mas também há a frente de combate terapêutico, que é ter formas de tratamento efetivas. E isto é importante até por temos ouvido muito sobre tratamentos desprovidos de validade, propagados de maneira equivocada”, completa.

Além disso, segundo ele, os antivirais de uso oral têm um relevante potencial de escala, já que se trata de pequenas moléculas, mais fáceis de serem produzidas do que as vacinas, por exemplo, com menos exigências em relação ao armazenamento e manuseio. E isso permite aumentar as modalidades terapêuticas no combate ao coronavírus.

Múltiplas frentes de combate à pandemia

Essa não é a primeira vez que o grupo de pesquisa da Faculdade de Medicina da UFMG coordenado pelo professor Jorge Pinto é responsável por testes clínicos internacionais realizados durante a pandemia. Também participaram do estudo de fase 3 da vacina da Janssen contra covid-19, estudo com anticorpos monoclonais para tratamento da covid-19 e o estudo mosaico com a vacina contra HIV,  além do professor coordenar a Unidade de Pesquisa Clínica em Vacinas (UPqVac) recentemente inaugurada.

De acordo com ele, o histórico da Faculdade em diversos estudos e redes de pesquisa foi importante para ser inserida, mais uma vez, como um polo de pesquisa internacional. “Ter sido selecionada em um processo seletivo reforça o papel da Instituição e da equipe de pesquisa como referências para os estudos sobre covid-19, tanto profiláticos quanto terapêuticos”, afirma. “A participação em mais uma iniciativa como essa também fortalece a Faculdade como polo de geração de conhecimento e de colaboração internacional no objetivo de dar respostas à pandemia do coronavírus”, acrescenta.


A Faculdade de Medicina da UFMG é o único centro de pesquisa em Minas Gerais e uma das 28 instituições brasileiras que participam do estudo clínico da covid-19 para pacientes com risco aumentado de agravamento dos sintomas, realizado pela Pfizer.

Além do Brasil, também há polos de pesquisa na Argentina, Colômbia, Peru, Porto Rico, México, Estados Unidos, Bulgária, República Tcheca, Hungria, Índia, Japão, Coreia do Sul, Malásia, Holanda, Polônia, Rússia, África do Sul, Espanha, Taiwan, Tailândia, Turquia, Ucrânia e Reino Unido.