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Confira a entrevista com as candidatas à Diretoria da Faculdade de Medicina

Chapa “Esperançar” respondeu sobre questões que dizem respeito a toda comunidade da Faculdade, como inclusão, adaptação do ensino durante e após a pandemia e a inserção de novas tecnologia


22 de novembro de 2021 - , , ,


Em entrevista, a chapa “Esperançar”, única inscrita no processo de consulta à comunidade para subsidiar a elaboração da lista tríplice de candidatos para escolha da Diretoria da Unidade, respondeu sobre questões que dizem respeito a toda comunidade da Faculdade, como inclusão, adaptação do ensino e trabalho durante e após a pandemia, a inserção de novas tecnologias e atividades culturais, por exemplo.

A chapa é composta pelas professoras Alamanda Kfoury Pereira, do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia (GOB), e Cristina Gonçalves Alvim, do Departamento de Pediatria (PED), que responderá a mais questões no debate, realizado pela Comissão Eleitoral nesta terça-feira, 23 de novembro, às 11h30, com transmissão pelo Youtube. Saiba mais clicando aqui.

Confira a entrevista:

Esta é a primeira chapa para diretoria da Faculdade de Medicina da UFMG formada por duas mulheres, com a primeira candidata a diretora. O que esse fato pode trazer de novo para a Instituição?

É surpreendente que, em 110 anos de existência, em pleno século XXI, seja a primeira vez que a nossa querida Faculdade de Medicina poderá vir a ser dirigida por duas mulheres. A UFMG teve três reitoras e, nas vinte unidades acadêmicas, temos hoje seis diretoras e onze vice-diretoras. Assim, se pensarmos numa perspectiva histórica, podemos perceber que estamos representando um movimento social mais amplo, no qual as mulheres têm assumido progressivamente posições de liderança. É uma experiência nova, que acontece com um certo atraso aqui, e representa uma transformação da nossa sociedade, que almeja mais liberdade e menos opressão. Esperamos que signifique investimento na atenção e no cuidado com as pessoas e suas necessidades nesse contexto difícil que enfrentamos.

A primeira mulher a se graduar em Medicina na nossa Faculdade, Alzira Reis, em 1919, era a única mulher da sua turma e superou muitas barreiras de toda ordem, numa época em que as mulheres eram educadas para o casamento e criação dos filhos. Era uma mulher da elite, que se envolveu com causas importantes como o voto feminino. Desde então, muitas mulheres ocuparam vários espaços políticos, sociais e acadêmicos na nossa Faculdade. Houve ampliação do acesso às universidades como estudantes e elas foram progressivamente ocupando instâncias deliberativas e executivas. 

Segundo o estudo Demografia Médica (USP e CFM, 2020), os homens ainda são maioria entre os médicos em atividade no Brasil, mas a diferença relacionada ao gênero vem diminuindo ano a ano. Em 2020, as mulheres representavam 46,6% da população médica, enquanto que há trinta anos, em 1990, as mulheres eram 30,8%. O que acontece hoje na nossa Faculdade de Medicina é um fato repleto de significado político e social. Estamos cientes da nossa responsabilidade de representar a possibilidade de enfrentamento de desigualdades e injustiças históricas e estruturais na nossa sociedade.  

Na graduação, vimos nos últimos anos um importante movimento de inclusão de grupos historicamente sub-representados. Quais as propostas para consolidação e expansão dessa inclusão na Faculdade? E para a pós-graduação, há algo em mente?

Nosso compromisso é fortalecer e promover a capilaridade das políticas institucionais da UFMG relacionadas a ações afirmativas, inclusão, acessibilidade e, especialmente, a permanência de estudantes. Um exemplo mais recente é a inclusão digital. São políticas implementadas pelo Estado brasileiro, que tem promovido a democratização da educação superior. Está mais consolidada na graduação e precisa avançar também para a pós-graduação.

A diversidade contribui para a relevância e excelência da nossa Universidade. Ressaltamos que devemos promover o comportamento ético e inclusivo de todas as pessoas, nas relações interpessoais, com gentileza e solidariedade. Compreender que estamos tratando de implementar direitos, garantidos por leis e pela nossa constituição.

Com as experiências do Ensino Remoto Emergencial (ERE) e do Ensino Híbrido Emergencial (EHE), haverá alguma discussão sobre mudanças na grade curricular dos cursos de graduação?

A pandemia exigiu uma mobilização intensa para nos adaptar ao modelo virtual de ensino de forma emergencial, para o qual de fato não estávamos preparados. Políticas para capacitação, infraestrutura digital, acesso, equidade, em meio a orientações e diretrizes sanitárias, foram alguns dos muitos desafios, considerando os princípios fundamentais de construção coletiva, qualidade, equidade e preservação da vida das pessoas. Com muita dedicação e empenho de toda a comunidade, conseguimos superar as dificuldades mais intensas e urgentes. Aprendemos bastante! 

O momento atual é favorável para discussão ampla dos projetos pedagógicos dos cursos, incorporando o uso de tecnologias digitais, dentro dos limites legais para cursos presenciais. Agregar métodos e recursos que favoreçam a qualidade ao processo de ensino-aprendizagem, otimizando tempo e espaço, e incentivem o protagonismo e a autonomia dos estudantes, mediada pelos docentes.

Como a Faculdade está se preparando e como ela irá lidar com o contexto das novas tecnologias e práticas no setor, como a inteligência artificial, a Medicina 4.0 e as healthtechs?

As novas tecnologias de ciência de dados já são uma realidade. A UFMG está na vanguarda, ao liderar o Centro de Inovação em Inteligência Artificial para a Saúde (CIIA-Saúde), com a participação de professores referência daqui da nossa Faculdade, como a professora Zilma Reis. Estamos motivadas para apoiar institucionalmente as ações para incorporar o ensino e a pesquisa sobre as novas tecnologias, na perspectiva do seu uso responsável e na melhoria das condições de vida das pessoas.

A UFMG conduziu a paralisação e a retomada das atividades presenciais com base em planejamento e ações graduais. No enfrentamento à covid-19, as unidades da Universidade se adaptaram para garantir a segurança e a saúde dos membros da comunidade. O que a chapa propõe para o controle de eventuais surtos e seguimento do combate à doença a partir de 2022, considerando as especificidades da nossa Instituição?

Manteremos o respeito às diretrizes da ciência, com discussão ampla, transparência e responsabilidade. Considerando como premissa o cuidados com a saúde da comunidade, aprendemos a nos manter vigilantes, em especial com a implantação do MonitoraCovid UFMG, e agir com celeridade em caso de surtos ou piora dos indicadores epidemiológicos.

É importante ressaltar que, para além do monitoramento, vamos manter campanhas educativas sobre medidas de prevenção da transmissão do vírus, dentro ou fora da Faculdade, como uso de máscaras, ventilação dos espaços e higienização das mãos. E estimular a vacinação de todos e todas por meios da educação e da sensibilização.

A vacinação, assim como outras medidas preventivas, requer sobretudo senso de coletividade. Observamos países ricos e com ciência avançada que ainda não conseguiram alcançar a ampla cobertura vacinal. Por outro lado, países pobres estão com pouco acesso às vacinas e cobertura vacinal muito aquém do necessário para o controle da pandemia, por definição, um problema de ordem mundial. Isso nos revela o grave cenário da desigualdade e da negação da ciência, inclusive com distorção do conceito de liberdade, confundida com individualismo.

A negação da ciência é um desafio a ser enfrentado pelas universidades e não é explicada apenas pela falta de informação. A ciência evidencia as mudanças necessárias para que sobrevivamos como humanidade e isso contraria interesses políticos e econômicos conservadores.

As medidas de combate à pandemia de covid-19 resultaram em muitas mudanças na forma das instituições se organizarem, principalmente em termos de uso da tecnologia. Neste sentido, o que acreditam que esse período ensinou à Faculdade de Medicina? Quais mudanças devem ser mantidas de permanentemente?

A pandemia promoveu novas formas de se relacionar, ultrapassando as barreiras da distância física. Esse fato permitiu a ampliação e inclusão de pessoas que não tinham acesso ao que acontecia dentro da universidade. Um exemplo é Congresso de Evidências Clínicas na Covid-19 que alcançou mais de 30 mil visualizações no canal do YouTube da UFMG. Há também processos administrativos e acadêmicos que melhoraram com o uso das tecnologias digitais. Temos pensado que essa é uma discussão que devemos fazer: o que deve permanecer? Devemos conduzir uma reflexão cuidadosa, analisando prós e contras e tendo como objetivo o aprimoramento contínuo das nossas atividades.

Pensamos que o encontro presencial é muito precioso, principalmente porque promove o vínculo entre as pessoas e com a instituição. A presencialidade deve ser plenamente retomada de forma progressiva, gradual e responsável. Porém, incorporar de forma definitiva alguns processos e procedimentos no modo virtual nos parece salutar! A nossa equação é promover a qualidade do ensino e do trabalho e a qualidade de vida das pessoas! Um modelo híbrido pode ser bastante interessante! Como Faculdade de Medicina, devemos levar nossas propostas para a discussão que deverá ocorrer na UFMG como um todo.

Durante a pandemia, a resposta da Instituição teve que ser dada muito rapidamente e de forma provisória. O que está sendo planejado para garantir a conectividade, segurança de dados e manutenção dos serviços digitais na unidade?

Essa é uma questão muito sensível e prioritária. Temos na Faculdade de Medicina uma equipe de profissionais competentes na área de tecnologia da informação, que se desdobraram para atender as demandas da pandemia. Precisamos investir em recursos de tecnologias digitais de comunicação e de informação. Melhorar nossa infraestrutura para ambientes que permitam eventos híbridos, presencial e virtual com transmissão online. Nossa proposta é agir em articulação com a Reitoria para viabilizar essa estrutura, o compartilhamento de softwares e a segurança dos dados na nossa Universidade.

O Campus Saúde se constitui como a segunda maior comunidade da UFMG. Ao longo dos anos, formou-se uma percepção de distanciamento das unidades em relação à administração central, principalmente pela ausência de atividades existentes no Campus Pampulha, como iniciativas de eventos culturais, por exemplo. O que a chapa propõe para garantir políticas específicas da administração central da UFMG para a comunidade do Campus?

Esse é um desafio constante e que exige colaboração das duas partes, para compreensão tanto do que é específico, da Faculdade, quanto do que é geral, da Universidade. Consideramos que somos mais fortes e mais relevantes fazendo parte da UFMG. E também que agregamos valor à instituição, fato marcante durante a pandemia.

Trazer para dentro da nossa unidade o que acontece no campus da UFMG é possível e desejável porque contribui para ampliar nossa visão de mundo e vivenciarmos a riqueza de ser uma universidade de excelência. Pensamos que a Diretoria, representando a comunidade da Faculdade de Medicina, pode e deve tomar iniciativas de aproximação, além de ocupar os espaços deliberativos de forma propositiva. Pensamos ser essa a forma de dar visibilidade aos problemas que nos afligem e sermos participativos na vida universitária.

No plano de trabalho que a chapa apresenta, há sempre menção à participação e construção coletiva. Há alguma proposta para estabelecer uma educação continuada de professores, técnicos administrativos e profissionais terceirizados na próxima gestão?

Essa é uma questão muito cara para nós. O desenvolvimento pessoal e profissional de todos e todas é essencial no contexto de uma instituição de ensino, inclusive como fonte de motivação para alcançar os objetivos institucionais.

Em relação aos docentes, pensamos em apoiar o planejamento dos departamentos para viabilizar ações de educação continuada para atuação no ensino, pesquisa e extensão, e, também para situar os docentes na vida administrativa da universidade pública, em que temos que prestar do nosso trabalho à sociedade.

Em relação aos servidores técnico-administrativos, pensamos em duas linhas de ações: 1) promover o adequado reconhecimento de formações, capacitações e pós-graduação, realizadas por iniciativa própria dos servidores e servidoras; 2) propor atividades de formação com base em demandas e projetos apresentados pelos setores, relacionadas ao aprimoramento das atividades desenvolvidas e a satisfação profissional

Temos intenção de discutir nas instâncias específicas, como a PRORH, formas de apoiar essas iniciativas, bem como estabelecer parcerias com outras Unidades que possam nos orientar em atividades de capacitação. 

Consulta 2021

O processo de consulta à comunidade irá subsidiar a escolha da diretoria para o mandato de 2022 a 2026. O processo será realizado pelo Sistema Eletrônico de Consultas da UFMG e coordenado pela Comissão Eleitoral, já nomeada pela Instituição. 

A votação será feita nos dias 1 e 2 de dezembro. Podem votar todos os membros do corpo discente dos Cursos de Graduação, de Especialização, Mestrado e de Doutorado da Faculdade de Medicina da UFMG efetivamente matriculados, exceto aqueles que se encontrarem com trancamento total de matrícula; todos os membros do corpo docente pertencente ao quadro permanente da Faculdade, em efetivo exercício; todos os membros do corpo técnico-administrativo em educação da Faculdade, em efetivo exercício.

Confira o cronograma completo:

Para votar os eleitores devem acessar o link “Consultas eleitorais” no portal minhaUFMG, no canal “Sistemas”, grupo “Aplicações Administrativas”. Cada eleitor deverá escolher apenas uma chapa da relação constante.

A TV UFMG elaborou um vídeo com tutorial de como votar no sistema online para a consulta à comunidade para escolha da Reitoria da Universidade. O processo de votação para a Diretoria da Faculdade é similar. Acesse o vídeo clicando aqui.

A Comissão Eleitoral é composta por sete membros indicados pela Congregação, com representação de docentes, técnico-administrativos em educação e discentes. A Comissão irá receber as inscrições dos candidatos, coordenar o processo de consulta eleitoral, preparar as listas de eleitores e emitir instruções à comunidade, organizar debate, publicar os resultados da consulta e julgar os recursos. 

Neste processo, foram designados membros da Comissão, as professoras Paula Vieira Teixeira Vidigal (Departamento de Anatomia Patológica e Medicina Legal) e Letícia Caldas Teixeiras (Departamento de Fonoaudiologia); os técnicos-administrativos em educação Marco Antunes Assis Costa (Centro de Informática em Saúde) e Sérgio Henrique Bernardi (Superintendência Administrativa); e os discentes de cursos de graduação José Henrique Paiva Rodrigues (Medicina), Jéssica Borges Gonçalves de Souza (Superior de Tecnologia em Radiologia) e Igor Carnevalli Leal (Fonoaudiologia).


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* Editada em 22 de novembro, às 14h20.