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Pediatria promove debate sobre riscos e oportunidades na primeira infância


18 de novembro de 2020 - , , , , , ,


Captura de tela do evento. Acesse a íntegra na matéria.

Fase de desenvolvimento e oportunidades, a primeira infância foi tema de evento do Departamento de Pediatria (PED) da Faculdade de Medicina da UFMG nesta quarta-feira, 18 de novembro.

A convidada para a palestra foi Maria Beatriz Martins Linhares, professora do Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP. O evento teve moderação da professora Mônica Maria Vasconcelos, chefe do PED.

Essa foi a nona edição das Webconferências do Saber, série de lives promovidas pela Faculdade de Medicina com expoentes da saúde, onde os 12 departamentos da Instituição estão discutindo os temas mais atuais de suas áreas.

Assista a íntegra:

Desenvolvimento

A professora Maria Beatriz Linhares abordou teorias do desenvolvimento típico e reverberações de privações nessa fase da vida para toda a sociedade. Na primeira infância há grande mudança física e na integridade neurológica, com alteração de arquitetura e funcionalidade do cérebro, afetando percepção, memória, raciocínio, tomada de decisão e aspectos relacionados aos afetos e sentimentos. “É uma ebulição desenvolvimental”, nas palavras da professora.

“Criança é um indivíduo com todo seu aparato. Elas têm contexto, família, escola, vizinhança. Desde o micro até o macro afetam seu desenvolvimento”

Entre os riscos biológicos, ambientais e combinados para essa fase estão os ciclos de transmissão intergeracional de vulnerabilidades – atrelados à pobreza e condições sociais – e o estresse tóxico, que afeta o desenvolvimento cerebral e outros órgãos e sistemas.

Estresse tóxico é o que vai além do positivo e tolerável, ocorrendo de forma repetida e prolongada, tornando a criança hiper-vigilante e sem proteção.

“Ambientes caóticos, com instabilidade diária, sem ordem e falta de regularidade temporal e estrutural afetam negativamente. Várias áreas são afetadas, como linguagem, cognição, sócio emocional, desempenho escolar”, explica a professora. “A pobreza é um carreador de vários problemas”, completa.

Como exemplo, foi citado um estudo com adultos expostos a grande privação durante a infância em um orfanato na Romênia. Foram afetadas a espessura da superfície do lobo temporal e identificados menor QI e mais sintomas de TDAH.

“Uma sociedade pode ter uma perda de seu alicerce para o desenvolvimento”

Parentalidade positiva

Captura de tela do evento com projeção da apresentação da professora Maria Beatriz Linhares.

Entre as soluções apontadas estão a parentalidade positiva e políticas públicas. No plano individual, os pais podem observar sua comunicação, disciplina positiva regulação emocional e comportamental, junto ao monitoramento de mídia eletrônica. Já em termos de políticas públicas, no Brasil existe a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança e Caderneta da Criança, que são ferramentas para a vigilância em desenvolvimento. 

A professora apresentou exemplos positivos de implementação de soluções em andamento com grupos de mães para práticas positivas e políticas públicas em Pelotas (RS) e no estado do Ceará. “Devemos investir na primeira infância de forma integral, integrada e sustentável. A sociedade precisa desse alicerce”, defendeu.

Conferencista

Além de professora da USP, Maria Beatriz Martins Linhares é psicóloga, especialista em Psicologia Clínica Infantil, Psicologia Hospitalar, Educação Especial e Psicologia Experimental. Ela coordena o Laboratório de Pesquisa em Prevenção em Problemas de Desenvolvimento e Comportamento da Criança, é membro do Comitê Científico do Núcleo de Ciência pela Infância e do Instituto de Valorização da Educação e Pesquisa do Estado de São Paulo. Ela também foi coordenadora do Serviço de Psicologia Pediátrica do HCFMRP-USP por 23 anos.


Relembre como foram os eventos anteriores: