7 de abril, dia do médico legista

Publicado em Especial
07 de abril de 2010

Hoje, 7 de abril, é comemorado o dia do médico legista. Em Minas Gerais, a profissão, tema de dezenas de séries televisivas de sucesso, conta com cerca de 300 profissionais vinculados à Polícia Civil. Eles atuam nos Institutos Médicos Legais (IML) e nos postos médicos legais, buscando evidências que possam ajudar em investigações criminais.

De acordo com o professor do Departamento de Anatomia Patológica e Medicina Legal (APM), Leonardo Bordoni, muito embora sejam conceitos próximos, a medicina legal não se resume ao trabalho do médico legista, que atua na área criminal. “A medicina legal é acionada em todo momento em que haja necessidade de conhecimentos médicos em qualquer esfera jurídica – nas áreas trabalhistas, da família ou cível, por exemplo. O legista atua somente na investigação legal criminal”, diferencia.

Ele diz que o trabalho do médico legista consiste, basicamente, em fazer exames de corpo de delito. “Nós entramos em ação quando deve haver uma busca de vestígios materiais no corpo humano que possam evidenciar um possível crime”, explica.

Bordoni ressalta que a importância destes profissionais vai muito além do fornecimento de dados para a solução de um delito. “Tudo que fazemos se transforma em dados. Assim, com o resultado de nossas perícias, é possível desenvolver estudos e gerar informações para a segurança pública. É um trabalho que fomenta as políticas públicas de prevenção”, pondera.

Ele avalia que a área ainda é vista com preconceito, mas “depois do primeiro contato com o trabalho do legista, ainda na Faculdade, os estudantes de Medicina descobrem interesse nesta área, por diversos fatores”.

Vida Real
Segundo o professor, a realidade de médicos legistas é bem diferente do cotidiano sugerido na ficção. “Grande parte do trabalho do legista dispensa o uso de novas tecnologias. Além disso, não é papel destes médicos investigar a autoria de crimes ou interpretar as provas. O legista não acusa, nem defende. Somos neutros do ponto de vista jurídico”, afirma.

Ele conta que, em verdade, a maioria das perícias é realizada em vivos, nos casos de agressões ou acidentes, por exemplo. “Eventualmente são feitos exames em cadáveres ou partes do corpo, mas é uma porcentagem bem menor do nosso trabalho”, elucida.

Grupo Mineiro de Estudos de Medicina Legal
O Grupo Mineiro de Estudos de Medicina Legal (Gemel-MG), coordenado pelo professor Bordoni, retoma suas atividades este ano. O projeto é interinstitucional e foi fundado em 2003, por seu coordenador e pelo professor João Batista Rodrigues Júnior. As atividades são principalmente de pesquisa. Qualquer estudante de Medicina pode integrar o grupo de estudos.

Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG
jornalismo@medicina.ufmg.br




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